Pútin alerta contra ‘especulações históricas em jogo geopolítico’

Declaração de Pútin pode estar ligada ao boicote às celebrações do Dia da Vitória por uma série de líderes mundiais Foto: TASS

Declaração de Pútin pode estar ligada ao boicote às celebrações do Dia da Vitória por uma série de líderes mundiais Foto: TASS

Em reunião sobre os preparativos para o Dia da Vitória, presidente criticou distorção de fatos históricos e desejo de minar a autoridade do país. Discurso foi visto tanto como provocação a líderes que recusaram convite para o evento, como nova tentativa de pregar conceito de ‘a Rússia cercada por inimigos’ junto à população.

Na terça-feira passada (17), o comitê organizador para a celebração do 70º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial se reuniu em Moscou. Durante o encontro, o presidente Vladímir Pútin falou sobre as tentativas de “usar especulações históricas em jogos geopolíticos”. Segundo ele, a Rússia deve “sempre defender, argumentativa, firme e persistentemente, a verdade sobre a guerra”.

“Hoje vemos não apenas a tentativa de reinterpretar e distorcer os acontecimentos da guerra, mas também a mentira cínica, a calúnia descarada de toda uma geração de pessoas que deram praticamente tudo a essa vitória, que defenderam a paz na terra”, disse o presidente.

Pútin alertou sobre o objetivo de tais especulações de minar o poder e autoridade moral do país, “privando-o do estatuto de país vencedor”. “Infelizmente, a Rússia continua sendo colocado à prova no que se refere à maturidade e união, à força das nossas tradições históricas e coesão entre as gerações.”

EU no alvo

 “A declaração de Pútin não deve ser interpretada como uma resposta à Polônia”, disse em entrevista à Gazeta Russa o diretor do Centro para a Política Eficaz, Gleb Pavlóvski.

Em janeiro deste ano, o ministro das Relações Exteriores polonês, Grzegorz Schetyna, declarou que Auschwitz havia sido libertado por soldados ucranianos. “Mais do que a reação da Polônia, que tem uma relação tradicionalmente sensível em relação à Rússia, o que irrita Pútin é a reação da Alemanha e da União Europeia”, acrescentou Pavlóvski.

 

Segundo o analista político, a declaração do presidente não teve um alvo específico nem caráter de grosseria deliberada, mas “pode estar ligada ao boicote às celebrações do Dia da Vitória por parte de uma série de líderes mundiais”.

Pavlóvski acredita, contudo, que trata-se de uma questão sensível e “Pútin não pode fingir que nada aconteceu”, já que o fato de a crise ucraniana ser usada como motivo para recusar o convite vem a agravar ainda mais a situação.

Autoridades da Alemanha, França, EUA, Reino Unido, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia já anunciaram que não irão comparecer ao evento.

Orgulho ferido

Para o diretor do Grupo de Analistas Políticos, Konstantin Kalátchev, a declaração do presidente teve como alvo o público interno. “O conceito de ‘a Rússia cercada por inimigos’ precisa não apenas de ser reforçado, mas também de exemplos específicos que façam as pessoas se consolidarem ainda mais em torno do líder do país”, sugere.

“Dizer que alguém está atentando contra a nossa principal fonte de orgulho nacional – a vitória na Segunda Guerra – significa mobilização automática da opinião pública contra aqueles que o fazem”, continua Kalátchev.

Líderes de 26 países participarão das celebrações do Dia da Vitória em Moscou, em 9 de maio. Entre as presenças confirmadas estão os líderes da China, Índia, Vietnã, Mongólia, Cuba, Coreia do Norte e África do Sul.

“Também confirmaram a sua participação líderes da Islândia, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Noruega”, anunciou o chanceler russo Serguêi Lavrov.

 

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