Investigação segue diferentes linhas em morte de opositor

Nemtsov foi vice-premiê durante governo de Iétsin e era conhecido por seus relatórios denunciando irregularidades nos altos escalões do governo. Foto: Iliá Schurov/creative commons

Nemtsov foi vice-premiê durante governo de Iétsin e era conhecido por seus relatórios denunciando irregularidades nos altos escalões do governo. Foto: Iliá Schurov/creative commons

Político Boris Nemtsov foi assassinado com quatro tiros na noite dessa sexta-feira (27), enquanto caminhava com a namorada por uma ponte sobre o rio Moscou próxima ao Kremlin. Presidente russo classificou crime como "provocação". Comitê Investigativo anunciou estar seguindo diferentes linhas para solucionar o crime.

O Comitê Investigativo da Federação da Rússia anunciou neste sábado (28) que está seguindo diferentes linhas para solucionar o assassinato do oposicionista Boris Nemtsov, ocorrido por volta das 22h40 dessa sexta-feira (27).

O político foi morto com quatro tiros enquanto caminhava pela ponte Bolshoi Moskvorétski, no centro de Moscou.

Nemtsov era um dos líderes do liberal-democrata "Partido Republicano da Rússia - Partido da Liberdade do Povo" e foi vice-premiê do país durante o governo de Boris Iéltsin.

Segundo a investigação, o crime poderia ser uma "provocação" para desestabilizar o país, como afirmou o presidente Vladímir Pútin logo após o ocorrido.

Nemtsov foi morto com quatro tiros, disparados de um carro branco, após deixar um restaurante localizado ao lado da Praça Vermelha. Ele estava acompanhado por uma jovem de 23 anos, natural de Kiev, que não sofreu nenhum ferimento. Foram efetuados sete disparos.

Até o momento não há suspeitos. Os testemunhos prestados também não foram divulgados.

"Consideramos todas as versões sobre o ocorrido, inclusive a de que sua morte tenha sido encomendada", disse a porta-voz do Comitê de Investigação da Federação da Rússia em Moscou, Iúlia Ivánova.

Crime político?

Horas antes do assassinato, Nemtsov deu uma longa entrevista à Rádio Ekho Moskvi sobre um protesto que estava organizando para este domingo (1). Com o ocorrido, a "Marcha da Primavera Contra a Crise" será alterada por uma marcha de luto pela morte de Nemtsov.

Durante a entrevista à rádio, o opositor disse temer por sua vida. Nemtsov era conhecido pela publicação de relatórios sobre corrupção que incriminavam altos funcionários do governo.

Há alguns dias, ele havia divulgado uma lista de 133 senadores e deputados da Duma (câmara dos deputados na Rússia) que acusava de evasão fiscal.

Seus companheiros na oposição também citam a existência de um relatório ainda não divulgado sobre a Ucrânia. Com este, Nemtsov provaria que militares russos em Donbass estão sob o controle da mais alta liderança da Rússia.

Foto: Mediazzzona/Twitter

"Foi uma execução sumária. (...) Ele era perseguido por várias organizações. Tentavam sujar o nome dele. Ele lutava para que a Rússia fosse um país livre, onde os direitos humanos estivessem acima de tudo. Imaginar que o líder da oposição fosse morto dessa maneira desafiadora nos arredores do Kremlin é algo inacreditável. Ele foi assassinado por causa da verdade", disse seu colega de partido, Mikhail Kassianov, ao jornal russo Kommersant.

Sinais de morte encomendada

O presidente russo Vladímir Pútin comentou o crime logo após o ocorrido. "Tem todas as marcas de uma morte encomendada e um caráter puramente provocativo", transmitiu as palavras do presidente seu porta-voz, Dmítri Peskov.

Pútin também já assumiu pessoalmente o controle da investigação. "No plano político, ele [Nemtsov] não representava qualquer ameaça (...) para a atual liderança da Rússia ou Vladímir Pútin", disse Peskov à rádio Kommersant-FM.

O advogado do opositor, Vadim Prôkhorov, afirmou à imprensa que há alguns meses Nemtsov recebeu ameaças nas redes sociais. "Um imbecil escreveu: 'Logo logo te derrubo no chão estrondosamente'", disse.

Mesmo assim, Prôkhorov disse não acreditar que o autor das ameaças tenha sido o responsável pela morte de seu cliente, e aposta em motivação política para o crime. Ele também diz que seus assassinos podem ser pessoas atuantes na linha de frente contra a Ucrânia, país que visitava regularmente.

No local onde o opositor foi morto estão sendo depositadas flores e velas.

 

Reportagem combinada com material da Ria Novosti e RBTH.

 

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