Existe futuro para o cessar-fogo acordado em Minsk?

Os novos acordos de Minsk prevêem a retirada de armamentos pesados e a criação de zonas de segurança entre as partes beligerantes na Ucrânia Foto: Reuters

Os novos acordos de Minsk prevêem a retirada de armamentos pesados e a criação de zonas de segurança entre as partes beligerantes na Ucrânia Foto: Reuters

Anunciados na quinta-feira (12), últimos acordos de Minsk estipulam um cessar-fogo no leste ucraniano a partir da meia-noite de domingo. Mas analistas militares russos estão céticos quanto à interrupção das atividades bélicas na região, sobretudo devido à situação em torno da emboscada de Debáltsevo, cidade ucraniana onde militares do país foram cercados pelos rebeldes separatistas.

Anunciados na última quinta-feira (12), na capital bielorrussa, os novos acordos de Minsk prevêem a retirada de armamentos pesados e a criação de zonas de segurança entre as partes beligerantes na Ucrânia, além, claro de um cessar-fogo.

Mas o presidente russo Vladímir Pútin já expressou preocupação com os obstáculos que se impõem para a paz na região, destacando as diversas interpretações de representantes da Rússia e da Ucrânia sobre a situação em torno da emboscada de Debáltsevo. Na cidade homônima, milhares de militares ucranianos estão cercado por separatistas, segundo os últimos.

Pútin também deu a entender tentativas de furar o cerco poderão dificultar ainda mais a situação no leste da Ucrânia, colocando em dúvida a possibilidade de realização do cessar-fogo acordado.

Beco sem saída

Kiev não admite que um grande grupo de seus militares caiu em uma emboscada. Isso, segundo analistas russos, tornaria a situação um beco sem saída.

"A resolução poderia estar no envio de especialistas militares para essa região para avaliar a situação, como propôs Pútin", diz o analista militar  Víktor Murakhovski.

O especialista ressalta que, para que a operação seja bem-sucedida, é preciso primeiro que o cessar-fogo seja colocado em prática, já que, do contrário, os observadores não poderiam executar sua missão.

Além disso, até então não há sinais de que as partes estejam cessando as atividades bélicas. Nesta sexta-feira (13), tanto os militares ucranianos, como os separatistas afirmaram que seus oponentes mantinham fogo aberto. 

"Devido ao relevo local, os militares ucranianos praticamente não têm chances de escapar dali sozinhos, e uma tentativa de furar o cerco levaria a enormes perdas", diz Vladímir Múkhin, analista militar do diário "Nezavíssimaia Gazeta".

A opinião é compartilhada por Aleksandr Khramtchikhin, vice-chefe do Instituto de Análises Políticas e Bélicas. "Como aconteceu no caso do aeroporto [de Donetsk], os militares ucranianos poderão ser deixados no cerco por bastante tempo, e, depois, daqui a alguns meses, eles podem tentar furá-lo", diz.

Como outros analistas, Khramtchikhin relembra que por muitos meses se travaram batalhas nos entornos do aeroporto de Donetsk, e, apesar de sua falta de importância estratégica decisiva, elas se tornaram um importante símbolo da luta contra os separatistas para Kiev, que perdeu o controle da área.

"Os novos acordos podem ter um destino ainda mais infeliz que os outros. Isso porque eles foram impostos por forças externas, e nenhuma das partes está interessada em segui-los", diz. 

 

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