Aumenta debate sobre ministério para o Ártico

Os defensores do novo órgão insistem na criação de uma estrutura estatal criada especialmente para o desenvolvimento do Ártico, que poderia controlar os fluxos financeiros e atrair os fundos privados Foto: Serguêi Aníssimov / Cortesia de MAMM

Os defensores do novo órgão insistem na criação de uma estrutura estatal criada especialmente para o desenvolvimento do Ártico, que poderia controlar os fluxos financeiros e atrair os fundos privados Foto: Serguêi Aníssimov / Cortesia de MAMM

Espera-se que a nova agência se encarregue de proteger os interesses da Rússia no Ártico e promover o aumento do investimento privado.

A Rússia poderá ter um Ministério Federal para o desenvolvimento dos territórios árticos. Governo e especialistas têm se pronunciado com mais frequência sobre a necessidade do desenvolvimento mais ativo do Ártico.

Em abril de 2014, em uma reunião do Conselho da Segurança da Federação da Rússia, o Presidente Vladímir Pútin chamou o Ártico da região onde "se concentram quase todos os aspectos da segurança nacional" e definiu a tarefa de criar uma "estrutura de funcionamento flexível e operacional”. Embora o Kremlin e o próprio governo não tenham confirmado a existência desses planos, no dia 24 de novembro, o ministro dos Recursos Naturais e da Ecologia, Sergei Donskoi, considerou apropriada a ideia de criação desse tipo de estrutura.

Ainda em 2013, a empresa de consultoria Centro de Informação Política começou a desenvolver o projeto de um ministério sobre os assuntos do Ártico. Segundo o chefe do centro, Aleksêi Mukhin, “a administração do presidente e alguns ministérios prestaram atenção na iniciativa", mas mesmo assim ela não foi apoiada pelo governo.

“O governo ainda não tem planos de criar o ministério. Mas há a necessidade de coordenar as atividades das empresas interessadas nessa região ", acrescentou Mukhin.

Ministério do gelo e do petróleo

Os defensores do novo órgão insistem na criação de uma estrutura estatal criada especialmente para o desenvolvimento do Ártico, que poderia controlar os fluxos financeiros e atrair os fundos privados.

“Ninguém ainda discutiu nada com a Duma. Em geral, eu apoio a ideia, mas nós precisamos fazer os cálculos, o Ártico é um território especial", diz Nikolai Kharitonov, presidente do Comitê da Duma de Política Regional e de problemas do Norte e do Extremo Oriente.

De acordo com o presidente do Instituto de Estratégia Nacional, Mikhail Remizov, é provável que a agitação em torno da região do Ártico possa ser explicada pelo desejo das empresas de petróleo de ter ainda mais proteção do Estado, devido à situação geopolítica desfavorável:

“Muitos planos de investimento podem diminuir devido às mudanças táticas e às tentativas de bloquear o desenvolvimento de recursos com a ajuda das sanções ambientais do Ocidente."

O Greenpeace da Rússia também acredita que é exatamente a indústria do petróleo que tem interesse na nova estrutura.

Mais ministérios

Até recentemente, em 2004, havia na Rússia um ministério responsável por todas as regiões. Em setembro de 2014 seu funcionamento foi considerado "inadequado" e o Ministério do Desenvolvimento Regional foi abolido. As responsabilidades desse órgão foram distribuídas gradualmente para outras estruturas. Aparentemente, a redistribuição de responsabilidades e a criação de ministérios "territoriais" adicionais foram consideradas no governo como formas mais eficazes para resolver problemas.

A diretora dos programas regionais do Instituto Independente para o Desenvolvimento Social, Natália Zubarevitch, acredita que não há nenhum sentido na criação de "ministérios territoriais".

"Qual é o sentido desses ministérios se de qualquer forma todas as decisões se tomam no nível federal e a maior parte do dinheiro também não está com eles?”

No entanto, quase todos os interlocutores da Gazeta Russa ainda não foram capazes de fazer uma avaliação completa dos recém-criados ministérios "territoriais" e acreditam que não devam ser tomadas conclusões sobre essa abordagem nos próximos anos.

 

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