Segundo Lavrov, situação na Ucrânia não será normalizada em breve

Segundo Lavrov, ainda falta muito até que a tensão na Ucrânia seja reduzida Foto: Vladímir Péssnia/RIA Nóvosti

Segundo Lavrov, ainda falta muito até que a tensão na Ucrânia seja reduzida Foto: Vladímir Péssnia/RIA Nóvosti

Serguêi Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, fez um balanço de 2014 durante entrevista concedida à agência RIA Novosti. O diplomata russo abordou o estado das atuais relações da Rússia com os EUA e a União Europeia, as perspectivas da regularização da crise ucraniana e a vertente oriental da política do país.

Serguêi Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, fez um balanço de 2014 durante uma entrevista concedida à agência RIA Nóvosti.

Confira trechos da entrevista.  

Sobre a regularização da crise ucraniana

O ministro salientou que o presidente da Ucrânia, Petrô Porochenko, é para Moscou o parceiro principal na busca de uma saída para a crise.

"O plano de paz por ele avançado, conjuntamente com as iniciativas de Vladímir Pútin, são o fundamento dos acordos alcançados em Minsk, cujo cumprimento literal é a chave da regularização viável da crise atual", disse Lavrov.

O chefe da diplomacia russa afirmou que a Rússia está esperando uma reforma constitucional praticável que conduza à aprovação "de um acordo social atualizado e aceito, em todos níveis, pela pluriétnica sociedade civil ucraniana, como um documento sólido de longa duração, como o fundamento de um Estado de direito que garanta a igualdade de direitos a todas regiões e etnias" na Ucrânia.

Segundo Lavrov, ainda falta muito até que a tensão na Ucrânia seja reduzida.

"Por enquanto, é bem claro que estamos longe da meta desejada", declarou o ministro. 

Moscou e Washington

Passando às relações entre a Rússia e os EUA, Lavrov frisou que Moscou está aberta ao diálogo com Washington, embora não queira negligenciar seus interesses seja em que situação for.

"Quanto a nós, estamos sempre dispostos a dialogar com os EUA, construtivamente e honestamente, tanto nos assuntos bilaterais como no palco mundial, onde nossos países têm responsabilidades específicas em relação à segurança e à estabilidade internacional. A questão é saber quando os dirigentes norte-americanos estarão prontos para cooperar com base numa verdadeira igualdade de direitos e respeito para com os interesses da Rússia, os quais não deixaremos de defender seja em que circunstância for", declarou o ministro russo. 

Sobre a defesa antimísseis e os mísseis de médio e curto alcance

Lavrov disse que os EUA acusam a Rússia, sem qualquer fundamento e sem apresentar qualquer prova até hoje, de violar o acordo de desmantelamento dos mísseis de médio e curto alcance (MMCA). O ministro também notou que Washington está fechando os olhos à visível preocupação das autoridades russas nesse domínio.

" Já no próximo ano, os Estados Unidos estão planejando instalar na Romênia e na Polônia sistemas de defesa antimísseis, com capacidade também de lançar mísseis de cruzeiro de médio alcance, tipo Tomahawk, o que é contra o acordo (de desmantelamento dos MMCA) (...) Lamentavelmente, Washington finge não entender as preocupações russas", realçou o ministro.

"Estamos avisando que, se o projeto de defesa antimísseis norte-americana atingir certa fase, teremos de tomar medidas para providenciarmos a nossa segurança", observou Lavrov. 

Relacionamento Rússia-Otan

As relações entre a Rússia e o bloco entraram, hoje, na crise mais grave desde os tempos da Guerra Fria; mesmo assim, a Rússia se esforça para preservar vias de diálogo político, na opinião do ministro.

"O bloco teima no rumo das limitações em relação à Rússia, reforçando, ao mesmo tempo, seu potencial bélico e aumentando substancialmente sua presença militar junto das fronteiras russas", disse o ministro. 

Sobre sanções ocidentais e a resposta da Rússia

Moscou não tomará qualquer iniciativa em relação ao levantamento das limitações de importação de produtos alimentares originários da União Europeia, decretadas em resposta às sanções, pois o relacionamento Rússia-UE “chegou a um ponto em que gestos de boa vontade deixaram de dar resultado”, sublinhou Lavrov.

"Não pretendemos discutir critérios de levantamento das sanções. Deixamos tal tarefa para quem as introduziu. É evidente, porém, que estaremos prontos para uma interação construtiva, caso a UE demonstre bom senso nesta matéria", garantiu o ministro. 

Rússia e Oriente

Segundo Lavrov, a Rússia não busca alterar o rumo da cooperação com a China, já que ela atende aos interesses essenciais de ambos os países.

"São, realmente, relações mutuamente vantajosas, nelas não há parceiros maiores ou menores, guias ou guiados. O trajeto do relacionamento entre a Rússia e a China foi traçado visando os interesses fundamentais dos dois países, longe de nós querermos mudar algo."

"As razões deste claro êxito residem na sólida cooperação com base em interesses comuns, respeito mútuo e não intervenção nos assuntos internos", frisou o ministro. 

Sobre a colaboração entre Moscou e Washington na luta contra o terrorismo

O chefe do corpo diplomático da Federação da Rússia deu a entender que, por enquanto, não se pode falar de colaboração entre seu país e os EUA na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico.

"Washington nunca encarou nosso país como possível participante da coligação contra essa organização; tal coligação foi construída conforme regras e parâmetros norte-americanos, restritamente em seus interesses, sem ter em conta o direito internacional. Mais do que isso: o presidente Barack Obama costuma inscrever a Rússia no rol das ameaças globais, como o Estado Islâmico e o vírus Ebola."

 

Publicado originalmente pela RIA Nóvosti

 

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