Uma guerra que nunca terminou?

Os Estados Unidos acusaram a Rússia de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF, assinado por Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan em 1987 Foto: AP

Os Estados Unidos acusaram a Rússia de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF, assinado por Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan em 1987 Foto: AP

Com armas nucleares na pauta do dia e estudantes mirando os EUA em simuladores, pode-se falar em um retorno da Guerra Fria?

Quando uma base de lançamento artificial foi apresentado a um grupo de estudantes colegiais moscovitas durante excursão a um bunker da Guerra Fria que foi transformado em museu, os jovens descobriram um simulador que lhes permitia fazer um “lançamento nuclear”. Podendo apontar suas ogivas para qualquer país que quisessem, muitos deles escolheram os Estados Unidos como alvo. 

Difundido nas redes sociais por um dos professores que também tinha um filho participando da excursão, o episódio do museu causou um choque naqueles que consideram a ideia de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia como uma antiguidade esquecida no passado.

No entanto, há sinais de que cresce a desconfiança mútua, e as lembranças da corrida nuclear estão ganhando nova vida pelas tensões atuais entre os Estados Unidos e a Rússia.

“Não somos confrontados pelo uso real de armas nuclear há muitos, muitos anos, desde 1945”, diz o general aposentado Eugene Habiger, que foi comandante do Comando Estratégico dos EUA. “As pessoas hoje, a geração Y, como a chamamos, não tiveram preocupações reais com as armas nucleares. Elas não viram armas nucleares na tela de um radar, elas não foram à escola se escondendo debaixo das mesas. Elas têm outras prioridades, outras preocupações.” 

Mas as autoridades de ambos os lados do Atlântico parecem dispostas a dar nova importância à questão. Em julho passado, os Estados Unidos acusaram a Rússia de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (na sigla em inglês, INF), assinado por Mikhail Gorbatchov e Ronald Reagan em 1987. O acordo previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance estivesse entre 500 km e 5.500 km.

De acordo com os Estados Unidos, a Rússia violou o acordo lançando um míssil de cruzeiro. Em resposta, a Rússia declarou que foram os Estados Unidos que violaram o acordo ao testar um sistema de defesa aérea que destrói mísseis balísticos.

Em meados de setembro, o vice-secretário dos Estados Unidos para Segurança Internacional e Controle de Armas, Rose Gottemoeller, visitou Moscou para participar de uma reunião bilateral e discutir as violações do tratado, mas nenhum dos lados ficou satisfeito com as negociações.

Funcionário do Departamento de Estado norte-americano, Frank Orban, que também trabalhou na administração de Reagan e ajudou a negociar o INF, chamou o documento de “pedra angular do controle moderno de armas russas”. 
“Se houver problemas ou violações do INF, o mundo deve entender que o tratado Start [da sigla em inglês, Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 1991] também será violado”, diz Orban. 

Mais armas

Em conformidade com o INF, a União Soviética destruiu 1.752 mísseis e desativou 845 lançadores. Já os Estados Unidos desmantelaram 850 mísseis, além de 283 lançadores.

No entanto, podem surgir novas armas para substituir essas. Responsável pelo complexo militar-industrial russo, o vice-primeiro-ministro Dmítri Rogôzin anunciou recentemente que o país está acelerando a modernização de seus armamentos nucleares estratégicos. O projeto deverá ser concluído até 2020.

Um relatório divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA no início de outubro indica que, pela primeira vez na história, a Rússia ultrapassou o país em número de ogivas.

 

 

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