Gorbatchov recebe alta e retomará atividades

Gorbatchov foi condecorado com o Prêmio Nobel da Paz em 1990 Foto: ITAR-TASS

Gorbatchov foi condecorado com o Prêmio Nobel da Paz em 1990 Foto: ITAR-TASS

O primeiro e último presidente da União Soviética, Mikhail Gorbatchov, havia sido hospitalizado nesta quinta-feira (9). Por telefone, o político se queixou aos repórteres de não poder acompanhar a semana do Prêmio Nobel e disse que retornará à rotina de trabalho.

O ex-presidente da URSS, Mikhail Gorbatchov, 83 anos, foi hospitalizado repentinamente em Moscou, mas já recebeu alta.

“Passei os últimos sete dias me sentindo mais ou menos, mas hoje fui hospitalizado. A situação se agravou, por isso estou sob observação. Estou todo ligado a fios”, disse Gorbatchov nesta quinta-feira, citado pela agência de notícias Russkaia Slujba Novostei.

O ex-líder soviético passou por uma batelada de exames, que chegou ao fim nesta sexta-feira. “Ele deve regressar ao ritmo normal de trabalho em breve”, declarou o chefe de relações internacionais e assessor de imprensa da Fundação Gorbatchov, Pável Palajtchenko.

Os problemas de saúde impediram-no de acompanhar a semana de atribuições do Prêmio Nobel. Cabe lembrar que, em 1990, Gorbatchov foi galardoado com o Nobel da Paz pela abertura promovida à sociedade soviética que contribuiu para o fortalecimento da confiança internacional.

Fontes internas da fundação acrescentaram também que, se os médicos liberarem, Gorbatchov irá viajar para a Alemanha em novembro a fim de participar dos eventos comemorativos do 25º aniversário da queda do Muro de Berlim.

Febre americana

Apesar dos problemas de saúde e da idade avançada, Gorbatchov se mantém politicamente ativo.

Recentemente, o ex-presidente chamou os EUA de “principal febre do mundo”, ao rebater as declarações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na 69ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, de que a Rússia seria uma das maiores ameaças atuais.

“Nós só temos uma febre principal, que é os Estados Unidos e suas pretensões de liderança”, disse o ex-líder soviético. “Isso não chega sequer a ser um diálogo político, mas injúrias. Vale tudo – ofender, provocar – porque eles desejam monopólio. A Ucrânia e outras coisas, são tudo desculpas.”

Mesmo com o agravamento das relações entre os países, Gorbatchov garante que não há sinais de uma nova Guerra Fria. “Ninguém precisa de uma Guerra Fria. Isso dura décadas e é difícil para os nossos cidadãos”, disse ele, ressaltando que as consequências de uma iniciativa do gênero dificultam o reestabelecimento de relações diplomáticas.

“Eu me lembro como foi difícil quando comecei a mudar a relação com eles [EUA], como foi difícil para os nossos cidadãos, que achavam que não iríamos encontrar pontos de contato, que não era possível contar com eles. Mas os Estados Unidos da América são uma grande nação e nós temos que ter boas relações”, arrematou Gorbatchov.

 

Com material do jornal Moskovsky Komsomolets e da agência de notícias Ria-Nôvosti

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