Sucessos e derrotas de Pútin são avaliados pelos russos

A pesquisa mostra que 30% dos russos encaram o fortalecimento das posições do país no cenário internacional como um feito importante de Pútin Foto: RIA Nóvosti

A pesquisa mostra que 30% dos russos encaram o fortalecimento das posições do país no cenário internacional como um feito importante de Pútin Foto: RIA Nóvosti

Pesquisa mostra que população tem boa avaliação do presidente, mas cientistas políticos não se mostram tão otimistas.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo centro de análises sociológicas e de marketing Levada – que tem o nome de Iúri Levada, sociólogo e cientista político russo (1930-2006) –, a maior parte da população da Rússia acredita que o governo de Vladímir Pútin conseguiu fortalecer a posição internacional e a capacidade defensiva do país, mas no que se refere à democracia, liberdades políticas dos cidadãos e luta contra a corrupção, o presidente russo pouco avançou.

A pesquisa mostra que 30% dos russos encaram o fortalecimento das posições do país no cenário internacional como um feito importante de Pútin. Pesquisas anteriores realizadas pelo Centro Panrusso de Pesquisa de Opinião Pública concluíram que os cidadãos apreciam a competência (21%) e a capacidade com que o presidente luta pelos objetivos do país (20%), inclusive, na política externa.

O modo como foi resolvido o problema da Crimeia e a atitude da Rússia em relação aos acontecimentos na Ucrânia são os fatores que mais contribuíram para o aumento da popularidade do presidente perante a população russa. Ainda antes da crise ucraniana, a firmeza de Pútin em relação ao conflito na Síria, opondo-se a uma intervenção militar, bem como a posição construtiva de Moscou nas conversações sobre o programa nuclear do Irã tiveram a aprovação do povo. 28% dos participantes disseram ainda que agradou o reforço da capacidade de defesa e a reforma do Exército russo.

Para Serguêi Mikhêev, diretor do Centro de Conjuntura Política, a “firmeza da política externa de Vladímir Pútin não pode deixar de agradar aos russos”. “Na década de 1990, não havia no país um líder forte e carismático que agisse contrariando a comunidade internacional. O presidente não teme se pronunciar sobre os graves problemas internacionais, além de propor soluções. São estas as raízes de sua popularidade”, frisa Mikheev.

No entanto, a pesquisa do centro Levada demonstra que o chefe de Estado russo não teve êxito na defesa da democracia e das liberdades políticas, na luta contra o terrorismo e a criminalidade, bem como na melhoria das relações interétnicas na Rússia.

Os participantes adicionaram aos êxitos de Pútin o crescimento econômico do país: um em cada quatro cidadãos russos se disse satisfeito com a elevação do nível de vida, com o crescimento dos salários e reformas, além da melhora da situação demográfica do país. Entretanto, a corrupção, a incapacidade de travar a influência dos oligarcas e as condições desfavoráveis em que funciona o comércio privado continuam sendo razões para descontentamento.

Andrêi Piontkóvski, cientista político russo, acredita que “o crescimento dos índices econômicos é duvidoso”. “Atualmente, os economistas russos, incluindo os governamentais, encaram com pessimismo a evolução destes índices. Neste ano, o crescimento será de 0%. Na vida cotidiana, a queda do poder de compra é sentida por todos. Os preços estão subindo, sobretudo os dos produtos alimentares, consequência não tanto das sanções econômicas da União Europeia, como das nossas próprias sanções”, explica.

Os participantes da pesquisa incluíram na lista de conquistas de Pútin também o aumento do otimismo e a esperança quanto à resolução dos problemas internos e da situação na Tchechenia. Classificaram ainda como fatos positivos a elevação da moral e a cooperação com a CEI (Comunidade dos Estados Independentes).

Eis como Dmítri Evstáfiev, cientista político e professor catedrático da Escola Superior de Economia, explica a popularidade do presidente: “Vladímir Pútin é capaz de resolver os problemas e encara todas as questões da sociedade. Há uma ligação entre o que o presidente disse e o que o presidente fez, o que é muito importante para o povo. Quem acusa Pútin deve se lembrar de duas coisas: ele concretizou todos os projetos que definiu como pessoais e cumpriu todas as suas promessas, mesmo quando isso lhe era prejudicial, o que tem um forte impacto na clássica mentalidade russa. Pútin tem senso de oportunidade”.

O cientista político Andrêi Piontkovski não concorda com a opinião de Evstáfiev e afirma que “a popularidade de Pútin decorre da propaganda transmitida durante 24 horas pelos canais televisivos federais”. “A TV transmite para a maior parte da população informações nem sempre completas e objetivas. Se o isolamento da Rússia e as relações com as principais potências do mundo baseadas na inimizade são consideradas um êxito, podemos dar os parabéns aos ideólogos da nossa televisão”, acrescentou Piontkóvski.

Para 16% dos participantes da pesquisa não houve qualquer avanço e 15% tiveram dificuldade em responder as perguntas.

 

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