Rússia participa de esforços para a resolução da crise de Gaza

"Estamos conscientes de que a Rússia tem outras preocupações, principalmente relacionadas com a crise ucraniana" Foto: Press Photo

"Estamos conscientes de que a Rússia tem outras preocupações, principalmente relacionadas com a crise ucraniana" Foto: Press Photo

O embaixador da Palestina na Rússia fala dos esforços de Moscou para a manutenção da paz na região.

O embaixador palestino na Federação Russa, Fayed Mustafa, falou em entrevista à Gazeta Russa sobre a situação na faixa de Gaza e a participação de Moscou nos esforços de manutenção da paz.

Do ponto de vista dos palestinos, quem poderá ter cometido o sequestro dos garotos israelenses que foi usado para justificar a operação em Gaza?

Nós perguntamos a todas as facções palestinas e ninguém assumiu a responsabilidade pelo sequestro.

Expressamos a nossa vontade em cooperar com os israelenses e lhes pedimos que apresentassem provas do envolvimento do Hamas, mas nenhuma prova foi apresentada.

Sem esperarem pelo fim da investigação, as autoridades israelenses afirmaram desde o primeiro dia que o Hamas estaria por trás disso. Esse fato confirma que tudo foi planejado pelos israelenses para usarem o sequestro como pretexto para as ações punitivas contra o povo palestino.

A Rússia pode fazer alguma coisa em relação à difícil situação na Faixa de Gaza? O que se pode esperar do país?

Historicamente, a Rússia é amiga do povo palestino. Agradecemos o apoio dela e tudo o que ela fez pelo nosso povo. Apreciamos os apelos feitos por ela para a busca de uma resolução pacífica para o conflito com base no direito e nas resoluções internacionais.

A Rússia definiu a sua posição e exigiu que Israel interrompa a agressão contra o povo palestino. Ela apoia todas as iniciativas propostas no Conselho de Segurança e apoiou a proposta de convocação de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos para condenar a agressão israelense e discutir os crimes cometidos por Israel contra o povo palestino.

Estamos em contato constante com os nossos amigos na Rússia, com o Ministério das Relações Exteriores e outras instituições oficiais russas. Neste momento, um enviado especial russo, Serguêi Verchinin, se encontra na faixa de Gaza. Ele está no local para efetuar reuniões com as partes envolvidas no conflito, bem como para juntar os esforços da Rússia aos de outros países na busca por um cessar-fogo.

E como é sua relação com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia?

Estamos em contato permanente com os nossos amigos do Ministério das Relações Exteriores, há dois dias tivemos também uma importante reunião com o vice-chanceler russo, Gennadiy M. Gatilov, com quem discutimos em conjunto a atual situação em Gaza. A Rússia e os países árabes têm posições semelhantes no que diz respeito às vias de saída da crise e ao cessar-fogo.

O que o senhor espera da comunidade internacional?

Apelamos para que a comunidade internacional continue os esforços de manutenção da paz após esta agressão. A comunidade internacional não deve relaxar depois de um cessar-fogo, porque a causa do conflito na região é a ocupação israelense. Se a ocupação israelense não terminar, as ondas de violência apenas irão aumentar. O conflito pode se acalmar por um ou dois meses, mas acabará explodindo de novo, ainda mais que a situação nos territórios palestinos, não só em Gaza, mas também na Cisjordânia, é extremamente difícil.

Tem quem critique a Rússia por sua postura cautelosa sobre o que está acontecendo hoje em Gaza?

Estamos conscientes de que a Rússia tem outras preocupações, principalmente relacionadas com a crise ucraniana. Esta crise está lançando uma sombra sobre as relações russo-europeias e russo-americanas. Mas, apesar de a diplomacia russa estar ocupada com todos esses problemas, o representante do Ministério das Relações Exteriores da Rússia está atualmente na região. Eu considero isso um sinal de interesse da Rússia em conseguir atingir um fim rápido para a violência. A Rússia demonstrou mais uma vez que os acontecimentos da Primavera Árabe não devem desviar a nossa atenção do principal problema do Oriente Médio: a questão palestina.

 

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