Acusações contra Moscou são “mera ficção”, afirmam especialistas militares

Dezesseis mil soldados das Forças Armadas da Rússia estão concentradas ao longo da fronteira com a Ucrânia Foto: Photoshot / Vostock-Photo

Dezesseis mil soldados das Forças Armadas da Rússia estão concentradas ao longo da fronteira com a Ucrânia Foto: Photoshot / Vostock-Photo

Na noite de segunda-feira passada (16), o secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia (CSND), Andri Parubi, declarou que a Rússia está concentrando tropas junto à fronteira oriental do país.

“Apesar de o presidente Vladímir Pútin, ter informado sobre a retirada de tropas da nossa fronteira oriental, recebemos a informação de que as Forças Armadas russas realocaram unidades da 76ª Divisão Aerotransportada de Assalto de Pskov para regiões fronteiriças”, disse o secretario.

Segundo Parubi, quatro aeronaves militares IL-76 também realizaram o transporte de quase 150 soldados e de equipamento da 76ª Divisão Aerotransportada de Assalto para o aeródromo de Millerovo, localizado a 20 km da fronteira com a Ucrânia.

Os especialistas militares da Rússia dizem que as acusações contra Moscou são “mera ficção” e que é pouco provável que os 150 paraquedistas realizando exercícios na região fossem uma ameaça real para as forças armadas do país vizinho. “Em primeiro lugar, unidades da 76ª Divisão de Assalto de Pskov estão neste momento em exercícios militares na região de Kaliningrado, nos campos de treinamento militar de Dobrovolski, Pravdnenski e Khmelevka”, disse à Gazeta Russa o especialista militar independente Viktor Litóvkin.

“Além do mais, as unidades da defesa costeira da Frota do Norte são subdivisões que estão armadas com os sistemas antinavio Bal e Bastion. Ninguém vai deslocar essa tecnologia valiosa para a fronteira com a Ucrânia, uma vez que ninguém pretende lutar com submarinos nas estepes do país vizinho”, acrescentou Litóvkin.

O observador militar acredita que os comentários do secretário do CSND são mais um passo para justificar as ações militares que ocorrem no interior do país. “A primeira vítima da guerra é a verdade. Para realizar os seus interesses, os políticos necessitam justificar suas ações aos olhos das massas. Não tem nem teve nenhuma agressão russa.”

Dezesseis mil soldados das Forças Armadas da Rússia estão concentradas ao longo da fronteira com a Ucrânia. Na Crimeia há quase 22 mil soldados. Embora Parubi afirme que as tropas estão prontas para entrar em ação a qualquer momento, Litóvkin garante que não há motivo para preocupações.

“O presidente Vladímir Pútin, o ministro da Defesa Serguêi Choigu, e o chanceler Serguêi Lavrov, afirmaram que a Rússia não tem intenção de enviar tropas para a parte oriental da Ucrânia. A declaração de Parubi é mais uma tentativa para assustar a população do país com a ameaça russa, para justificar a ação militar contra as pessoas que não concordam com o novo governo”, diz o especialista.

O presidente da Academia de Problemas Geopolíticos, Leonid Ivachov, concorda que as observações do secretário do CSND são uma tentativa de conseguir fundos para as demandas militares. “Parubi tenta obter fundos para o apoio ao exército à custa de comentários como esses. A imagem da Rússia inimiga vem bem a calhar no atual clima político e esses métodos são eficazes aos olhos da população e da liderança”, diz.

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