O que muda com a libertação de Khodorkóvski?

"Mesmo que volte à política, ele não é um adversário político perigoso para Pútin" Foto: RIA Nóvosti

"Mesmo que volte à política, ele não é um adversário político perigoso para Pútin" Foto: RIA Nóvosti

Na última sexta-feira (20), presidente russo Vladímir Pútin assinou decreto de perdão do ex-proprietário da petrolífera Yukos, Mikhail Khodorkóvski. Analistas acreditam que notícia vai melhorar a imagem da Rússia entre os empresários estrangeiros.

“Guiado por princípios humanitários”, Pútin assinou o decreto para libertação de Khodorkóvski na sexta-feira passada, e no mesmo dia o empresário seguiu para Berlim, onde sua mãe está sendo tratada.

Independentemente de como os russos avaliaram o caso da petrolífera Yukos, o decreto presidencial que concedeu anistia a Khodorkóvski foi bem recebido, apontou o diretor-geral do Centro Russo de Análise da Opinião Pública, Váleri Fiódorov. Os observadores são quase unânimes ao dizer que a medida visa melhorar a imagem do país no exterior.

Ígor Búnin, diretor-geral do Centro de Tecnologias Políticas

“Pútin está sempre pesando nos pratos da balança – o que é politicamente mais vantajoso? Ele já havia calculado racionalmente que a imagem da Rússia no exterior sairia ganhando mais se Khodorkóvski fosse libertado. Esse acontecimento irá eliminar alguns dos problemas nas relações com o Ocidente e seus negócios. Por isso é que ocasionalmente, desde que foi eleito, ele dava a entender que estaria disposto a libertar o empresário desde que o próprio escrevesse um pedido de perdão.

Eu estava seguro de que Khodorkóvski nunca faria isso, uma vez que o pedido representa um reconhecimento de culpa. Acontece que ele queria voltar para a sua família. Acho que, em liberdade, Khodorkóvski deixará de ser um símbolo da oposição e passará a ser mais uma entre tantas figuras públicas.”

Serguêi Mikheiev, diretor-geral do Centro da Conjuntura Política

“Há muita gente que deseja colocar Khodorkóvski de novo na política, criar um partido em torno dele e usar o seu nome como antes. A diferença é que antes o usavam na qualidade de prisioneiro político, e agora, como um homem que sofreu pela verdade. Mas me parece que nessa questão deve haver algum acordo entre ele e Pútin que o manterá longe da política no futuro próximo.

Mesmo que volte à política, ele não é um adversário político perigoso para Pútin. Khodorkóvski nunca foi um herói das massas, um herói das ruas, apenas um político popular. A sua importância para a Rússia é seriamente exagerada pelos defensores liberais. Mas ele se tornou um ícone no Ocidente e isso se tornou um problema para a Rússia.”

Vladímir Rijkov, copresidente do Partido RPR-Parnas

“Estou extremamente feliz! Feliz por ver que o homem que passou mais de 10 anos na cadeia, o homem que em sua época criou a empresa de maior sucesso no país, foi finalmente libertado. Quanto ao fato de que ele ter escrito o pedido de perdão, ninguém se atreverá a atirar pedras. Ele pagou com dez anos de sua vida, de perseverança e coragem, de lealdade aos seus princípios.”

Eduard Limonov, escritor e líder do Partido Nacional Bolchevique

“Esta é a manchete da década [na Rússia]. Acredito que isso tenha sido resultado da possibilidade de uma terceira pena. Ele já cumpriu duas e aí começam a surgir rumores consistentes de que haveria uma terceira condenação. É claro que seria muito difícil de suportar isso depois de quase 10 anos. Creio que se Khodorkóvski tivesse escrito o pedido de perdão depois do quinto ano de pena, Pútin já teria liberado o empresário.

Bem, agora vejam só como os índices da bolsa dispararam, mostrando que foi uma boa saída para Pútin. Mas também para o próprio Khodorkóvski. Afinal, quanto tempo mais dá para aguentar o status de “estrela liberal” em condições tão difíceis? Naválni e Prôkhorov estão subindo, e ele, o que ganha com isso? Inteligente como é, não terá pressa em se arriscar agora na política.”

 

Com materiais dos veículos Kommersant, Moskóvski Komsomolets e Gazeta.ru

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