Khodorkóvski voou para Berlim após ser libertado

Khodorkóvski alegou que sua condenação teve motivações políticas Foto: Reuters

Khodorkóvski alegou que sua condenação teve motivações políticas Foto: Reuters

Magnata preso desde 2005 foi beneficiado por anistia assinada pelo presidente Vladímir Pútin.

O ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkóvski voou para a Alemanha nesta sexta-feira (20), depois de ser libertado da prisão por causa de anistia aprovada pelo presidente Vladímir Pútin.

“No momento em que foi libertado, Khodorkóvski coletou seus documentos para seguir ao exterior. Na sequência, voou para a Alemanha, onde sua mãe está sendo tratada”, disse um porta-voz do serviço penitenciário.

Segundo Chris Weafer, especialista do Alfa Bank para questões estratégicas, a decisão de Pútin visa melhorar a imagem do país e atrair investimentos frente aos próximos Jogos Olímpicos de Sôtchi. “Junto com a anistia dos ativistas do Greenpeace, a notícia de Khodorkóvski é mais um argumento positivo para a cooperação com a Rússia”, diz.

As ações das empresas russas nas bolsas aumentaram 1,5% desde que a notícia foi divulgada. Apesar não acreditar em grandes mudanças, o diretor do Instituto de Estudos Políticos, Serguêi Markov, defenda que diminuirá o financiamento de ações anti-Rússia no exterior. “A oposição radical perde um dos pilares de críticas ao governo”, diz Markov.

“Khodorkóvski é uma pessoa talentosa, e provavelmente dentro de dez anos voltamos a vê-lo à frente de uma grande empresa”, finaliza o cientista político.

Processo sobre processo

Em maio de 2005, Khodorkóvski e seu sócio Platon Lebedev foram condenados a nove anos por fraude, desvio de verba e evasão de divisas. Posteriormente, a pena foi reduzida para oito anos.

No final de 2010, o tribunal condenou novamente Khodorkóvski e Lebedev a 14 anos de prisão sob a acusação de desvio de 200 milhões de toneladas de petróleo e lavagem de dinheiro em 2005. Em dezembro do ano passado, juízes de Moscou reduziram a pena para 11 anos.

O empresário alegava que todas as acusações eram “politicamente motivadas”, fato não reconhecido pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, embora o organismo internacional tenha encontrado uma série de irregularidades processuais.

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