“Experiência serve de lição, inclusive ao Greenpeace”, diz Pútin

Pútin não planeja mudanças consideráveis para 2014 Foto: Konstantin Zavrájin/RG

Pútin não planeja mudanças consideráveis para 2014 Foto: Konstantin Zavrájin/RG

Na última quarta-feira (18), presidente russo Vladímir Pútin participou de uma coletiva de imprensa que durou pouco mais de quatro horas. Apoio à Ucrânia, revelações de Snowden e até mesmo elogios ao serviço de inteligência dos EUA estiveram entre os momentos de destaque.

Ucrânia amiga

Pútin declarou que a Rússia fez concessões econômicas à Ucrânia para colaborar na complexa situação de um antigo parceiro. O presidente sugeriu que os grupos anti-Rússia reunidos no centro de Kiev sequer leram o projeto para adesão da Ucrânia à União Europeia. “Vejam o que está escrito lá: abrir mercados, introduzir normas de comércio e regulamentos técnicos europeus. A indústria se desenvolve, mas a agricultura não”, disse.  “É uma clara inclinação para o lado de lá, tornar-se um agro-apêndice da zona euro”.

Sem novidade para o Ano Novo

O chefe de governo considera a atuação do governo como satisfatória e não planeja mudanças consideráveis. “Precisamos de profissionais no governo, e é preciso atraí-los do mercado. O potencial do atual governo ainda não foi realizado”, disse.

Snowden em paz

Pútin disse nunca ter se encontrado com o ex-funcionário do serviço de inteligência dos EUA Edward Snowden. “Não o conheço pessoalmente”, disse Pútin, “mas acredito que graças a Snowden, muita coisa mudou na cabeça de milhões de pessoas, inclusive de grandes políticos da atualidade”.

Ele garantiu que Snowden não está envolvidos nos serviços de inteligência russos: “Nunca trabalhamos com ele em nossas operações”. O presidente lembrou ainda que as autoridades russas deram a Snowden a possibilidade de morar no país sob a condição de não praticar mais qualquer atividade antiamericana.

Espionagem do bem

Sobre as relações da Rússia com os EUA e a Alemanha depois do escândalo relacionado a Snowden, Pútin defendeu o serviço de inteligência americano, que, segundo ele, realiza escutas telefônicas em todo o mundo sobretudo para combater o terrorismo. “Por justiça, devemos admitir que isso se faz, principalmente, na luta contra o terror, é uma ação antiterrorista”, disse. Porém, acrescentou que “devem existir regras mais claras e certos acordos, inclusive de caráter moral”.

Recado ao Greenpeace

“Tenho uma atitude positiva para com todos que trabalham com a proteção da natureza, com todos, sem exceção”, disse. Pútin. “Mas acho inaceitável quando as pessoas fazem disso instrumento de autopromoção e fonte de enriquecimento”, continuou.

Pútin comentou sobre a anistia concedida aos membros da tripulação do navio Artic Sunrise, acusados do ataque à plataforma Prirazlomnaia, e aproveitou para dar um recado. “Acho que a experiência serve de lição para todos nós, e também à organização Greenpeace”, disse o presidente.

Irã, Síria e o direito internacional

Segundo Pútin, a resolução do problema nuclear iraniano e a questão do desarmamento químico da Síria são uma conquista não só da Rússia. “Sem um trabalho conjunto com europeus, americanos e China não seria possível alcançar isso”, disse. “Nossa abordagem é baseada nos princípios do direito internacional e podemos nos orgulhar disso."

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