Nacionalistas planejam “Marcha Russa” em 100 cidades do país

Os organizadores esperam que 30 mil pessoas participem da ação, motivo pelo qual cinco mil policiais ficarão responsáveis pela segurança no sudeste da capital Foto: ITAR-TASS

Os organizadores esperam que 30 mil pessoas participem da ação, motivo pelo qual cinco mil policiais ficarão responsáveis pela segurança no sudeste da capital Foto: ITAR-TASS

Combate à imigração ilegal e saída da Rússia da OMC serão bandeiras levantadas pelos manifestantes. Após recentes revoltas anti-imigração em Moscou, organizadores esperam que 30 mil pessoas participem da ação na capital.

Na próxima segunda-feira (4), data em que é celebrado o Dia da Unidade Nacional, uma série de manifestações e passeatas nacionalistas sob a bandeira “Marcha russa” acontecerão em 100 cidades russas.

Apenas metade delas receberam permissão das autoridades locais, incluindo Moscou, Arkhanguelsk, Volgogrado, Voronej e Iekaterinburgo. Mas em São Petersburgo a marcha não poderá ocorrer oficialmente, pois não houve consenso em relação aos lugares por onde o protesto poderia passar.

As autoridades da capital, contudo, concordaram com a realização da Marcha Russa na subprefeitura de Liublino, no sudeste da cidade. Os nacionalistas resolveram trocar o centro de Moscou por uma região periférica mais próxima ao bairro de Biriuliovo, que foi recentemente palco de confrontos entre a polícia e manifestantes em revoltas anti-imigração.

Segundo os organizadores do protesto, a ação será realizada sob o slogan de 14 palavras e 14 exigências. Entre elas, estão a atribuição aos russos de status de povo oficial do Estado, introdução do regime de vistos para os países da Ásia Central, combate à migração ilegal e a saída da Rússia da OMC (Organização Mundial de Comércio).

Folga para protestar

A história da Marcha russa está relacionada à instituição do Dia da Unidade Nacional, em 2004, quando foi decidido abolir o feriado nacional que comemorava a Grande Revolução Socialista de Outubro. O feriado passou a marcar a expulsão dos invasores estrangeiros de Moscou pela milícia liderada por Minin e Pojarski, em 1612. Hoje em dia, a data é mais percebida como “um dia de folga”, motivo pelo qual os nacionalistas se aproveitaram para monopolizar o feriado. 

O líder do movimento “Russkie” e um dos organizadores da marcha, Dmítri Demuchkin, afirma que a ação está deixando de ser um evento puramente nacionalista para se tornar um “movimento verdadeiramente russo”. “A base ideológica da marcha está crescendo. Este ano, novas organizações, que se apresentam contrárias ao sistema de justiça juvenil e favoráveis a legalização de armas, irão se unir a nós”, diz ele.

Desconfiança

Os organizadores esperam que 30 mil pessoas participem da ação, motivo pelo qual cinco mil policiais ficarão responsáveis pela segurança no sudeste da capital. Mesmo assim, o diretor do Centro de Informação Analítica “Sova”, Aleksandr Verkhovski, duvida que o número de participantes aumente consideravelmente, já que os nacionalistas ferrenhos “não confiam nos organizadores da marcha”.

Este será o oitavo ano consecutivo que os nacionalistas realizam a Marcha Russa. Quando aconteceu pela primeira vez em 2005, o número de participantes em Moscou não chegou a 3 mil e em São Petersburgo, a 300.

Apesar da pouca aderência ao protesto, os funcionários da administração pública de ambas as cidades ficaram preocupados, e em 2006 proibiram oficialmente a realização das manifestações. A sanção levou a inúmeros confrontos de nacionalistas com policiais, e diversos ativistas acabaram sendo detidos.

Nos anos seguintes, outras cidades da Rússia se uniram à Marcha Russa e, ao longo dos últimos três anos, cerca de 10 mil pessoas participam da ação em Moscou anualmente.

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