Partido governista vence eleição em Moscou, mas oposicionista Naválni surpreende

Em Moscou, apesar de uma taxa  de comparecimento às urnas inesperadamente baixa, cerca de 33%, o  candidato governista e prefeito em exercício Serguêi Sobiânin obteve um  percentual dos votos suficiente para vencer já no primeiro turno Foto: Reuters

Em Moscou, apesar de uma taxa de comparecimento às urnas inesperadamente baixa, cerca de 33%, o candidato governista e prefeito em exercício Serguêi Sobiânin obteve um percentual dos votos suficiente para vencer já no primeiro turno Foto: Reuters

Maior surpresa aconteceu em Ekaterimburgo (nos Urais), onde as eleições para prefeito foram vencidas por Evguêni Roizman, candidato da oposição e presidente da Fundação Cidade Sem Drogas. Ele bateu o governista Iakov Sílin com 30,11% dos votos, contra 26,48% do oponente.

Neste domingo (8), os russos foram às urnas para eleger governadores e prefeitos. Em Moscou, apesar de uma taxa de comparecimento às urnas inesperadamente baixa (cerca de 33%), o candidato governista e prefeito em exercício Serguêi Sobiânin obteve um percentual dos votos suficiente para vencer já no primeiro turno, com 51,33% dos votos.

Seu principal concorrente, o blogueiro oposicionista Aleksêi Naválni, obteve 27,27%. Às véspera das eleições, as sondagens indicavam 60% das intenções de voto a Sobiânin e 9% a Naválni. A oposição contestou os resultados e pediu a recontagem dos votos.

O preparo para evitar fraudes na capital foi grande. A Comissão Eleitoral Central recebeu apenas 54 denúncias de violações da legislação eleitoral, das quais 17 em Moscou e 16 de unidades da Federação. Na Região de Sverdlovsk foi detectado um caso de envio de SMS favorável a um dos candidatos enquanto a Região de Iraoslavl registrou um caso de corrupção eleitoral.

Segundo representantes da Associação ONGs para a Defesa dos Direitos Eleitorais Controle Público, as eleições foram mais tranquilas e menos fraudulentas do que as recentes legislativas e presidenciais.

Outras regiões

Nos Urais, o candidato do partido oposicionista Plataforma Cívica, Evguêni Roizman, foi eleito prefeito da cidade de Ekaterinburgo. As eleições de governantes de diferentes níveis foram realizadas em 80 das 83 unidades da federação. Oito regiões elegeram governadores e 16 regiões, deputados regionais. 

O presidente da Fundação Política Peterburguense, Mikhail Vinogradov, atribuiu o baixo comparecimento às urnas em Moscou a dois fatores: o dia de votação inconveniente e a apatia do eleitor.

"A apatia se tornou mais evidente entre todos os eleitores e não só entre os apoiadores da oposição. As pessoas pensam que delas nada depende e não vão às urnas", disse Vinogradov.

A maior surpresa aconteceu em Ekaterimburgo (nos Urais), onde as eleições para prefeito foram vencidas por Evguêni Roizman, candidato da oposição e presidente da Fundação Cidade Sem Drogas. Ele bateu o governista Iakov Silin com 30,11% dos votos, contra 26,48% do oponente.

As eleições para assembleias legislativas, embora dominadas por candidatos do partido governista Rússia Unida, também trouxeram surpresas. Na região de Krasnoiarsk, por exemplo, as eleições foram vencidas pelo partido da esquerda moderada Patriotas da Rússia. 

Em algumas regiões, os comunistas, tradicionalmente segundo colocados, perderam para o Partido Liberal Democrático (LDPR, na sigla em russo), de Vladímir Jirinóvski.

De modo geral, a recente campanha eleitoral mostrou que as regiões da Rússia estão vivendo em um ritmo diferente.

"Por um lado, algumas regiões vivem de modo antigo, votando tradicionalmente no partido governista. Em grandes cidades, a situação é completamente diferente", diz o vice-presidente do Centro de Tecnologias Políticas, Aleksêi Makárkin

"A oposição conseguiu mobilizar seus apoiadores. O poder público teve problemas por não poder mais usar a máquina administrativa para fins eleitorais. Como resultado, muitos dos apoiadores dos candidatos governistas decidiram que deles nada dependia e não foram às urnas. Daí o declínio no número de votos favoráveis aos candidatos governistas", explica o especialista. 

Antes se acreditava que o baixo comparecimento às urnas favorecia os candidatos do governo. No entanto, as recentes eleições mostraram que nem sempre é assim.

"O baixo comparecimento favorece os candidatos governistas quando a máquina administrativa é usada. Quando a máquina administrativa não funciona, o baixo comparecimento favorece a oposição", afirma Makárkin.  

O especialista acredita que, após a contagem dos votos, as autoridades deixarão de ignorar a opinião dos apoiadores da oposição e tentarão atender aos interesses de todos os moradores. 

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