Segredos médicos de Pútin vazaram para a mídia

"Pútin está muito mais jovem do que os anos que tem", disse médica da presidência Foto: AP

"Pútin está muito mais jovem do que os anos que tem", disse médica da presidência Foto: AP

Médico-chefe do Kremlin falou sobre o estado de saúde do presidente.

O médico da Casa Presidencial disse à imprensa que "do ponto de vista médico, Pútin é muito mais jovem do que os anos que tem" e que apresenta excelentes níveis de performance. Tais declarações foram necessárias para refutar os rumores de eventuais problemas de saúde com os quais o chefe de Estado estaria se debatendo, dizem os especialistas.

"Ele (Pútin) é uma pessoa muito atlética. Do ponto de vista médico, ele é muito mais jovem do que os anos que tem. O seu estilo de vida ativo (esportivo) contribui para o seu excelente desempenho", disse o vice da Casa Presidencial, chefe do Departamento Médico e médico condecorado da Federação Russa, Serguêi Mironov, em uma entrevista à revista Itogi.

Ele contou como certa vez ele e seus colegas decidiram calcular quantas horas de voo o presidente fazia em um determinado intervalo de tempo e chegaram à conclusão de que "excedia todas as normas para pilotos". E ainda encontra tempo para tirar um cochilo no avião. Mironov acrescentou que a natação ocupa um lugar de destaque na vida de Pútin. "Nadar para ele é, na minha opinião, o principal modo de ele tem para se restabelecer e se adaptar a situações de estresse".

E continua: "Vladímir Vladimirovitch (Pútin) é muito cético no que respeita a tomar medicamentos, mesmo que estejamos falando de um banal comprimido para o resfriado. Ele prefere a medicina popular, chá com mel, banhos russos e massagem".

Durante a mesma conversa, também referiu que, apesar dos perigos do judô, desporto que o presidente pratica, ele nunca sofreu nenhuma lesão séria. "É verdade que no nosso país sempre foi tradição exagerar no historial médico dos chefes de Estado. Só recentemente diminuíram os rumores referentes aos problemas de coluna do presidente. Não vejo qualquer necessidade em classificar como secreta a informação do estado de saúde do chefe de Estado, mas existe uma coisa chamada ética médica. Se, por exemplo, eu me submeter a uma operação à coluna vertebral e não vejo nela qualquer razão para segredo, eu mesmo informarei as pessoas", disse Mironov.

O professor e cardiologista Aleksandr Charandak disse, em entrevista cedida ao jornal "Kommersant", que os exercícios físicos e a medicina tradicional não poderiam fazer mal a Vladímir Pútin. "Se aos 60 anos de idade a pessoa tem um estilo de vida ativo, isso é muito bom. Apenas as sobrecargas físicas são perigosas. Mas assim, praticar diariamente um esporte durante hora e meia, é muito benéfico para a saúde. Imagino que o sistema cardiovascular do presidente deva estar em muito bom estado. Que continue a praticar esporte. Só se deve tomar fármacos ante determinados sintomas, pois existem situações que sem medicação tornam o tratamento inútil. Mas na condição em que se ele encontra, eu acho que a medicina popular dá bem conta do recado. Ele se move jovialmente, tem um bom caminhar. Como é que ele aparenta estar fisicamente? Bem, nunca o observei de perto, mas, em princípio, concordo que ele parece mais jovem do que os seus 60 anos", disse.

As declarações do chefe do departamento médico não surgiram por acaso e foram feitas, antes de mais, a pensar na elite. É o que diz o especialista em RP políticas Andrei Zverev. "O estado de saúde do presidente é uma questão fundamental, especialmente no nosso país, onde as grandes decisões políticas cabem a ele. Agora sabemos existir um rumor segundo o qual estaria acontecendo uma divisão nas elites políticas. Por isso se dá um determinado sinal, indicando que o centro de tomada das decisões se mantém como antes na administração presidencial, no Kremlin e, por conseguinte, o presidente, como o garante que pode tomar as decisões, se encontra em excelente forma, e todas as questões ligadas com a saúde dele são apenas boatos que não têm qualquer relação com a realidade", diz ele.

 

Com materiais dos veículos RIA Nóvosti, Kommersant

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