“Colaboração na área de direitos humanos entre Europa e Rússia tem grande potencial”

Mikhail Fedotov, presidente do Conselho de Direitos Humanos do gabinete do presidente russo Foto: wikipedia.org

Mikhail Fedotov, presidente do Conselho de Direitos Humanos do gabinete do presidente russo Foto: wikipedia.org

Para presidente do Conselho de Direitos Humanos do gabinete do presidente russo, apenas uma relação transparente entre os países e total parceria pode quebrar a desconfiança mútua entre Rússia e Europa.

Apesar das críticas ao governo russo recebidas dos Estados europeus, a colaboração entre Rússia e Europa na área de proteção dos direitos humanos deverá ser feita baseando-se no conceito de parceria entre iguais, afirma Mikhail Fedotov, presidente do Conselho de Direitos Humanos do gabinete do presidente russo.

A Gazeta Russa conversou com Fedotov.

Gazeta Russa - Ultimamente, a Europa tem se manifestado contra algumas decisões do governo russo que muitos consideram uma repressão dos direitos de cidadão. Na sua opinião, o governo tem razão quando proíbe a “propaganda  homossexual”, aprova leis para proteção de sentimentos dos fiéis ou regulamenta as atividades dos "agentes estrangeiros"? Essas leis realmente foram necessárias?

O Conselho tomou uma posição contra essas leis, considerando-as mal pensadas e contraproducentes. A aplicação prática da parte da lei sobre as entidades sem fins lucrativos referente aos "agentes estrangeiros" revelou uma falta de precisão que não permite definir as entidades a serem reguladas por ela, portanto, o projeto dessa lei exige uma correção, assim como os de outras leis que você mencionou.

A futura cooperação e a procura das melhores soluções para ambas as partes referentes a alguns assuntos, tais como a isenção de vistos, dependerão das decisões da Rússia em relação à ampliação ou repressão dos direitos da sua população?

Acredito que não haverá nenhuma ligação entre esses assuntos. No entanto, temos interesse no cancelamento de vistos europeus, assim como na ampliação dos direitos e liberdades de nossos cidadãos. As sanções aplicadas a qualquer país, inclusive à Rússia, não trarão resultado algum. Estamos cientes dos nossos defeitos, problemas e falhas e agradecemos a todos que nos ajudam a corrigi-los, porém não aceitamos chantagem. Somos os principais interessados em ter leis justas e um Estado democrático e constitucional.

O que poderá quebrar a desconfiança mútua entre a Rússia e a Europa?

Apenas uma relação transparente entre os países e total parceria, pois não existem Estados mais ou menos importantes, todos somos mestres e aprendizes ao mesmo tempo.

Quais são as áreas de colaboração russo-europeia que possuem o maior potencial?

São as áreas de proteção dos direitos humanos e do desenvolvimento da sociedade civil.

Com quais entidades europeias o Conselho conseguiu estabelecer uma parceria?

A nossa lista de parcerias inclui o Conselho da Europa, nosso principal aliado, assim como as organizadoras do fórum russo-alemão "Diálogo de São Petersburgo", com quem realizamos reuniões e conferências, tais como o curso de verão destinado aos jovens interessados em história (realizado este ano na unidade federativa de Perm), além da conferência "Estado e indivíduo: lições de passado e dicas para o futuro", realizada em Moscou no final do ano passado e que contou com a participação de representantes de seis países europeus.

No final deste ano, esperamos a segunda etapa da conferência em Berlim e preparamos pesquisas conjuntas sobre a legislação que regula as atividades das empresas públicas de televisão e entidades sem fins lucrativos.

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