Oposicionista Naválni se registra como candidato à prefeitura Moscou

Membros do partido governista Rússia Unida ajudaram o oposicionista Naválni a coletar assinaturas de deputados municipais Foto: Serguêi Mikheev / RG

Membros do partido governista Rússia Unida ajudaram o oposicionista Naválni a coletar assinaturas de deputados municipais Foto: Serguêi Mikheev / RG

Apesar do registro, envolvimento de ativista em processo criminal poderá impedir a sua participação na corrida pré-eleitoral.

Nesta quarta-feira (17), a Comissão Eleitoral do município de Moscou decidiu registrar a candidatura do oposicionista Aleksêi Naválni, que se candidatou ao cargo de prefeito da capital pelo partido  RPR-PARNAS. No entanto, nesta quinta-feira será proferido o veredito do caso Kirovles, no qual Naválni poderá ser condenado a cinco anos de prisão – além de ficar de fora das eleições.

De acordo com a presidente da Comissão Eleitoral do município de Moscou, Valentina Gorbunova, não houve quaisquer observações em relação aos documentos apresentados por Naválni, de modo que foi registrado sem nenhuma ressalva. Junto com Naválni, o líder do partido Iábloko, Serguêi Mitrokhin, também foi aprovado como candidato.

Até o momento, os outros candidatos oficiais à prefeito são o prefeito interino de Moscou, Serguêi Sobiânin, o líder do partido Rússia Justa, Nikolai Levichev, deputado da Duma de Estado (Câmara dos deputados na Rússia), Mikhail Degtiarev, e o representante do Partido Comunista (PC), Ivan Melnikov.

Mais de 30 candidatos tinham a intenção de participar das eleições e apresentaram documentos para a Comissão Eleitoral, mas acabaram não conseguindo reunir a quantidade necessária de assinaturas, em seu favor.

Pelas previsões dos cientistas políticos, Naválni é um dos candidatos mais fortes de todos os oposicionistas que ingressaram na corrida eleitoral.

Duas disputas

Nesta quinta-feira (18), será dado o veredito do caso Kirovles, no qual Naválni é acusado de desviar madeiras da empresa estatal no valor de US$ 500 mil. Mas o blogueiro e seus partidários acreditam que o caso foi fabricado por “motivações políticas”.

“Acredito que não darão uma pena real de detenção para Naválni. Provavelmente, a pena se resumirá em uma sentença de liberdade condicional. A participação dele nas eleições deve atribuir   legitimidade a  elas e demonstrar a impotência da oposição”, explica o diretor do Centro de Estudos Políticos da Universidade Financeira, Pável Salin. “Seu potencial é supervalorizado e na realidade é pouco provável que ele reuna mais de 5 a 7% dos votos.”

O especialista acredita que mesmo sendo condenado no caso Kirovles, o oposicionista poderá participar da campanha eleitoral. "Se a sentença for, por exemplo, de 4 anos de liberdade condicional, então ele também poderá participar da corrida eleitoral”, destacou o especialista.

Por outro lado, o presidente da Fundação Política de São Petersburgo, Mikhail Vinogradov, acredita que a participação de Naválni pode representar em uma séria concorrência a Sobiânin. “Ele supera todos os outros candidatos no que diz respeito às suas qualidades de orador e criador de polêmicas, e tudo vai depender se ele terá acesso à televisão e conseguirá trazer para o seu lado novos grupos de apoio entre a população, tais como os idosos”, diz Vinogradov.  

O próprio oposicionista está pronto para se retirar da corrida eleitoral se for condenado, mas não poupou críticas às autoridades. Na última terça-feira (16), Naválni, dirigiu uma apelação ao presidente Vladímir Putin para que fosse verificado se as circunstâncias sob as quais Vladímir Yakunin,  presidente da Russian Railways, se tornou proprietário de uma série de imóveis caros.

 

Com materiais da Interfax e Lenta.ru

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