Snowden desistiu de asilo político na Rússia, diz Kremlin

Snowden é procurado pelo governo americano por divulgar informações sobre um programa nacional para monitorar conversas telefônicas e por internet Foto: AFP / East News

Snowden é procurado pelo governo americano por divulgar informações sobre um programa nacional para monitorar conversas telefônicas e por internet Foto: AFP / East News

Governo russo estava disposto a cooperar com ex-consultor da CIA, desde que ele parasse de “prejudicar os interesses dos colegas americanos”.

Os parlamentares russos se propuseram a colaborar com o ex-consultor da CIA, Edward Snowden, na investigação dos fatos sobre a revelação de dados de cidadãos russos por empresas americanas de internet para os serviços especiais dos Estados Unidos.

“Convidamos Snowden para um trabalho conjunto. Quando ele definir o seu estatuto jurídico, poderá cooperar com o nosso grupo de trabalho e nos fornecer provas de acesso por parte das agências de inteligência dos Estados Unidos aos servidores de empresas de internet”, disse Ruslan Gattarov, membro do Conselho da Federação.

A criação do grupo ficou decidida na reunião plenária do Conselho da Federação na quarta-feira passada (26). De acordo com Gattarov, o grupo será composto por legisladores e representantes dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e das Comunicações, além de procuradores.

No entanto, é provável que o planos dos parlamentares não seja implementado, já que Snowden teria desistido de pedir asilo à Rússia. “Quando soube da posição de Pútin sobre as condições necessárias para ficar no país, Snowden renunciou ao pedido [de asilo na Rússia]”, adiantou o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov.

O presidente russo Vladímir Pútin disse nesta segunda-feira (1) que não pretende entregar o fugitivo aos EUA. Porém, segundo ele, “se Snowden quiser permanecer no país, terá que parar de prejudicar os parceiros americanos”.

Mesmo assim, os senadores norte-americanos preparam sanções contra a Rússia se Moscou não entregar Snowden. O senador republicano Lindsey Graham informou na semana passada em uma entrevista para a revista “Newsweek” que está elaborando propostas para as medidas contra a Rússia se o país não entregar Edward Snowden para os EUA . “Estou tentando montar um pacote de medidas para mostrar para os russos que estamos seriamente motivados. Precisamos responder, pois esse é um momento decisivo em nossas relações”, disse Graham.

Os democratas também uniram-se à crítica contra a Rússia. “Parece que os russos realmente têm os meios necessários para extraditá-lo e eles devem fazê-lo. Se não o fizerem, esse será um claro desafio para as nossas relações”. disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Robert Menendez.

O presidente americano Barack Obama já declarou que os Estados Unidos não vão transformar a exigência da extradição de Snowden em uma questão de primordial importância nas relações com a Rússia e vários outros países. Como informado pelo assessor de Obama na Segurança Nacional, Ben Rhodes, os EUA e outros governos são capazes de resolver os debates sobre o futuro de Snowden "por meio de práticas universalmente aceitas".

Procura-se Snowden

Os repórteres da agência RIA Nóvosti conseguiram descobrir que o antigo funcionário da CIA ficou realmente hospedado no Capsule Hotel Air Express. “Ele ficou aqui por quatro horas e até mesmo foi registrado na lista de hóspedes”, contou uma funcionária do hotel. Ela relatou que, depois de descansar, Snowden saiu acompanhado por vários homens.

Até o momento, sabe-se que o embaixador do Equador na Rússia, Patricio Chavez, encontrou-se com Snowden na zona de trânsito do Aeroporto Sheremetievo no último dia 24. Após a reunião, o embaixador do Equador informou o presidente Rafael Correa que Snowden estava “com boa saúde”  e confirmou a sua vontade de procurar asilo neste país. “Depois disso, não tivemos contato com ele”, conta Correa.

Embora Snowden ainda não tenha chegado ao Equador nem mesmo tenha recebido um convite formal das autoridades do país, seu caso já levou a uma nova espiral de deterioração das relações entre Washington e Quito. Em resposta às ameaças por parte dos EUA de deixar o Equador sem preferências de comércio, a liderança do país já declarou que abrem mão delas.

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, informou também que Caracas está pronta para oferecer “proteção humanitária” a Snowden, enquanto o porta-voz do Itamaraty, Tovar da Silva Nunes, confirmou que o Brasil recebeu um pedido de asilo político do ex-consultor da CIA, mas o governo brasileiro não tem a intenção de responder à solicitação. Um relatório do Wikileaks aponta que Snowden pediu asilo a 21 países.

 

Com materiais da agência de notícias RIA Nóvosti

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