Indicação de candidatos para prefeitura de Moscou continua a todo vapor

Bilionário Mikhail Prôkhorov anunciou na última quinta-feira (13) que não concorrerá ao cargo Foto: AP

Bilionário Mikhail Prôkhorov anunciou na última quinta-feira (13) que não concorrerá ao cargo Foto: AP

Comitê Eleitoral Central de Moscou acaba de anunciar o prazo para a nomeação dos candidatos a prefeito de Moscou. Enquanto isso, alguns líderes da oposição e políticos liberais, incluindo o magnata Mikhail Prôkhorov, se veem impossibilitados de concorrer ao cargo.

O Comitê Eleitoral da cidade de Moscou informou a agência Interfax na semana passada que o prazo para apresentação de nomeação dos candidatos nas eleições municipais, a serem realizadas em 8 de setembro, terminará no próximo dia 10.

“Em conformidade com o calendário aprovado em 10 de junho, o prazo para a apresentação de documentos dos candidatos vai até as 3 da tarde do dia 10 de julho”, disse um porta-voz do comitê.

Até 14 de junho, o departamento de Moscou do Ministério da Justiça vai publicar uma lista de partidos políticos e suas filiais regionais com direito a nomear candidatos às eleições para prefeito. A lista será então encaminhada ao Comitê Eleitoral da cidade de Moscou.

Alguns líderes da oposição e políticos liberais planejavam inicialmente participar das próximas eleições para prefeito. Mas algumas circunstâncias específicas estão impedindo essas pessoas de entrarem na corrida.

Exemplo disso é o magnata e líder da Plataforma Civil, Mikhail Prôkhorov, que se recusou a participar das eleições por causa de “medidas tomadas pelas autoridades russas e circunstâncias objetivas”.

“Gostaria muito de participar das eleições para prefeito de Moscou”, disse o empresário. “Sinto o apoio dos moscovitas – eles votaram em mim durante as eleições presidenciais. Mas circunstâncias objetivas e armadilhas por parte das autoridades não me permitem fazê-lo.”

“É uma posição de força, não de fraqueza”, acrescentou Prôkhorov, ao dizer que sua decisão de não concorrer ao cargo de prefeito de Moscou não quer dizer que estava com medo de alguém. “Quem observar o que venho fazendo ao longo dos últimos 20 anos dificilmente será capaz de me acusar de covarde. Sempre escolhi enfrentar as dificuldades. Além disso, acho que sou um especialista quando se fala em dificuldades. Quanto maior o desafio, mais motivação.”

Pelas leis atuais da Rússia, Prôkhorov não pode concorrer ao cargo, porque teria antes que registrar novamente seus ativos no exterior para participar do processo eleitoral.

Segundo ele, é impossível registrar novamente quaisquer ativos “de forma eficaz, honesta e transparente” dentro de um período de tempo tão curto.

“É uma pegadinha. Trata-se de um processo jurídico, mas desonesto. Essas coisas óbvias foram decididas para me brecar. Esse é o preço dessas eleições. Os próprios moscovitas terão que decidir o que é certo e o que é errado”, continuou o magnata.

Prôkhorov disse que não iria boicotar as eleições, mas, em vez disso, vai se concentrar na luta para conquistar assentos no poder legislativo da cidade de Moscou.

“É a minha escolha. Vou me reunir com os meus apoiantes e discutir isso abertamente. Vamos adiante conforme nossos planos, e não jogando as regras impostas pelos outros”, completou Prôkhorov.

O Partido Comunista considera que a recusa de Prôkhorov para concorrer ao cargo de prefeito de Moscou indica a sua fraqueza como político.

“É óbvio que os planos políticos da Plataforma Civil foram abalados. Prôkhorov esperava aumentar seu status como político. No entanto, ele tem problemas com as finanças e receio de passar pelo filtro municipal”, disse o chefe da bancada do Partido Comunista na Duma de Moscou, Andrei Klitchkov, à agência Interfax.

Klitchkov acrescentou ainda que os deputados de Moscou não apoiariam Prôkhorov. “Seria o fim da carreira política dele. Indicaria sua fraqueza na política”, completou.

O líder da oposição russa e blogueiro anticorrupção Aleksêi Naválni é outro personagem influente que também planejava participar das eleições, mas as acusações criminais contra ele bloquearam suas chances de concorrer ao cargo.

Paralelamente, o líder do partido liberal Iábloko, Serguêi Mitrokhin, anunciou no dia 4 de junho que poderia concorrer à prefeitura de Moscou.

No início deste mês, o prefeito de Moscou, Serguêi Sobiânin, anunciou sua renúncia. Essa decisão lhe permitirá concorrer nas eleições para prefeito da cidade em setembro.

Sobiânin no topo

De acordo com o Centro Levada, cerca de 47% dos moscovitas estariam prontos para votar em Serguêi Sobiânin, caso as eleições fossem decididas no próximo fim de semana. O índice de aprovação do atual prefeito permanece em 36% desde o ano passado.

A pesquisa envolvendo 506 entrevistados com mais de 18 anos foi realizada entre os dias 7 e 10 de junho. Vinte e um por cento dos entrevistados disseram preferir um candidato da oposição (contra 31% no ano passado) e 33% ficaram hesitantes.

O líder da Plataforma Civil, Mikhail Prôkhorov, ficou em segundo lugar, com 12%, e o blogueiro anticorrupção Naválni ficou em terceiro, com 3%.

Outros possíveis candidatos, como Serguêi Mitrokhin (Iábloko), Serguêi “Aranha” Troitski (líder da banda de rock Corrosia Metalla), Oleg Mitvol (Aliança Verde - Partido do Povo) e Serguêi Udaltsov (Frente de Esquerda) ganharam 1% ou menos.

Quarenta e cinco por cento dos entrevistados disseram que vão votar na eleição de 8 de setembro, 18% não comparecerão às urnas, e 37% afirmaram que vão tomar a decisão mais pra frente ou não conseguiam responder à pergunta.

 

Publicado originalmente pela Interfax

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