Nacionalistas leais ao Kremlin se preparam para eleições regionais de setembro

Líder informal do Ródina, Rogózin deve usar partido para se manter na política Foto: ITAR-TASS

Líder informal do Ródina, Rogózin deve usar partido para se manter na política Foto: ITAR-TASS

Apesar de partido Ródina voltar à ativa com apoio maciço dos líderes nacionais, analistas duvidam das perspectivas de vitória em curto prazo.

No início de junho, foi realizado um congresso do partido nacionalista conservador Ródina (Pátria), que se autodenomina “força especial” do presidente Vladímir Pútin. O evento aconteceu no Museu do Armamento, em Moscou, onde filiados vestindo um uniforme militar, embora a maioria deles não tivesse nenhuma ligação com o serviço militar, foram recebidos ao som de marchas militares.

Em meados da década passada, o então líder do Ródina e atual vice-primeiro-ministro responsável pela indústria bélica, Dmítri Rogózin, era visto como favorito do presidente Vladímir Pútin. Em 2003, o nacionalista moderado Rogózin e seu partido (ou melhor dizendo sua aliança eleitoral, transformada com o tempo em um partido) obtiveram assentos na Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo).

Porém, dois anos mais tarde, seu credo nacionalista que havia rendido a Rogózin fama e sucesso lhe custou sua carreia política. Em 2005, durante a campanha para as eleições municipais em Moscou, o Ródina sob sua liderança passou dos limites, lançando na TV um vídeo de propaganda eleitoral com o slogan “Limpemos nossa cidade do lixo!”, em que a autoridade máxima da sigla prometia limpar a capital russa dos trabalhadores migrantes originários do Cáucaso Meridional e da Ásia Central.

A sigla foi imediatamente retirada da disputa eleitoral, e o Kremlin começou a afastar Rogózin da Duma de Estado e do cenário político russo. Em virtude dessas circunstâncias, o Ródina deixou de existir em 2006, e foi incorporado, juntamente com dois outros partidos, ao partido de centro-esquerda Rússia Justa, liderado pelo ex-presidente do senado russo, Serguêi Mironov. Rogózin, por sua vez, foi nomeado representante permanente da Rússia na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em 2008.

No entanto, a liderança política do país decidiu recriar o partido em 2011, já que, segundo analistas, as opiniões da elite política e de Pútin se tornaram muito mais conservadoras do que em 2005. Em meio às manifestações de protesto em Moscou contra a suposta fraude eleitoral nas eleições legislativas em dezembro de 2011, Pútin chamou Rogózin de volta de Bruxelas para colocá-lo à frente da indústria bélica do país na qualidade de vice-primeiro-ministro.

Um ano mais tarde, o Ministério da Justiça registrou o partido Ródina. “Nosso programa são os sete artigos de campanha do presidente Vladímir Pútin. Eles definem uma estratégia nacional a qual compartilhamos e apoiamos sem ressalvas”, disse o líder oficial do partido, Aleksandr Juraviev, durante o recente congresso.

“Tenho certeza que em um futuro próximo o partido poderá começar a concretizar o programa presidencial. O partido Ródina é uma força especial do presidente. Cada patriota deve apoiar o governo e Pútin deseja fortalecer a Rússia”, acrescentou Juraviev.

Os analistas políticos acreditam que, como líder informal da sigla, Rogózin quer se reservar o nicho nacionalista patriótica. O presidente da Fundação Política de São Petersburgo, Mikhail Vinogradov, acredita que, apesar de o vice-primeiro-ministro não ter planos claros para o futuro, ele não quer perder a oportunidade de continuar sua carreira como líder político. Vinogradov sugere que a sigla será apoiada pelos eleitores que se opõem ao partido governista Rússia Unida, mas apoiam a política de Pútin.

"Rogózin atuou de forma correta. Por um lado, ele disse que esse projeto é seu. Por outro, não fez declarações bombásticas nem atraiu demasiada atenção", afirma o diretor do Instituto Internacional de Perícia Política, Evguêni Mínchenko. Ainda é cedo para falar sobre as perspectivas da sigla recriada, mas a liderança do Ródina afirma que o partido está pronto para disputar vagas nas assembleias legislativas regionais já em setembro deste ano. Do outro lado, os analistas políticos se dizem céticos em relação a suas chances. “Duvido que eles obtenham resultados impressionantes agora, mas como projeto para o futuro esse partido pode ser interessante”, adianta Mínchenko.

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