Terroristas presos em Moscou lutaram no Afeganistão contra a Isaf

Autoridades russos conseguiram evitar ato que seria realizado no dia 9 de maio Foto: AP

Autoridades russos conseguiram evitar ato que seria realizado no dia 9 de maio Foto: AP

Suspeitos de organizar atentados terroristas em Moscou no dia 9 de maio haviam lutado no Afeganistão contra a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês) da Otan. Fato aumenta preocupação da comunidade internacional sobre situação afegã após a retirada das forças da Otan em 2014.

O suposto organizador do ato terrorista previsto para o Dia da Vitória, celebrado na Rússia no dia 9 de maio, tinha ligação com o Partido Islâmico do Turquestão, informou o Serviço de Segurança Federal (FSB, na sigla em russo).

“Desconhecida anteriormente pelo grande público, essa organização terrorista não é menos perigosa do que a rede Al-Qaeda”, afirmou o diretor do FSB, Aleksandr Bórtnikov. “A internacionalização do terrorismo assume especial relevância”, acrescentou.

De acordo com um comunicado do Comitê Nacional Antiterrorismo (Nak) divulgado na última quinta-feira (6), o nome do terrorista preso nos arredores de Moscou é Iulai Davletbaev. Ele havia sido delatado por seu comparsa Robert Amerkhanov, preso em maio passado.

Segundo Amerkhanov, o grupo de Davletbaev tinha recebido a indicação da liderança do Partido Islâmico do Turquestão de cometer uma série de atentados terroristas em Moscou e, em seguida, fugir para o Afeganistão.

Sem detalhes

O FSB não informou, porém, quais exatamente instalações  no centro de Moscou foram escolhidas pelos terroristas para perpetrar um ataque nem divulgou os nomes e os locais de nascimento dos dois terroristas mortos.

Amerkhanov também disse que a organização dos atentados tinha ficado sob responsabilidade de Davletbaev, que não estava Moscou quando o FSB realizou uma operação especial em Orekhovo-Zuevo, a 76 km de Moscou, para neutralizar três extremistas, entre os quais Amerkhanov.

A operação resultou na morte de dois extremistas e na prisão de Amerkhanov.

O apartamento onde os terroristas se escondiam havia sido alugado em nome de Davletbaev. Ele tinha ligação com outro terrorista chamado Chaimukhametov, morto em 2010 e conhecido por organizar um atentado no gasoduto Urengói-Pomara-Újgorod e um ataque a um posto policial na região de Perm, além de assassinar um policial.

“Para cometer o atentado terrorista em Moscou, Davletbaev começou a trabalhar como motorista de táxi. Desse modo, podia realizar viagens pela cidade para selecionar os locais dos ataques sem causar suspeitas à polícia”, afirma o comunicado do Nak.

O objetivo da ação era provocar o maior número possível de vítimas fatais, assinala o comunicado.

Escalada da tensão

Segundo fontes do serviços secretos russos contatadas pela RIA Nóvosti, os mandantes do atentado terrorista em Moscou estão no exterior, em uma região na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão.

“Em 2010, os elementos desse grupo, responsáveis por uma série de crimes na região do Volga, se refugiaram em uma região na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão”, disse uma fonte do Nak. “No Afeganistão, os terroristas estudaram a fabricação de bombas e participaram em incursões contra a força internacional da Otan.”

Conforme o programado, a força internacional da Otan deve ser retirada do Afeganistão nos finais de 2014. No entanto, alguns militares e policiais do departamento antidroga ficarão no país. Nesse contexto, a comunidade internacional se declara preocupada com o eventual aumento da tensão na região após 2014.

“Os extremistas representam uma grave ameaça a países e regiões inteiras”, arrematou Bórtnikov.

 

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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