Tribunal de Moscou determina prisão preventiva do prefeito da capital do Daguestão

Said Amirov foi detido por suspeita de atentado contra  a vida de um funcionário Comitê de Investigação da Rússia Foto: AP

Said Amirov foi detido por suspeita de atentado contra a vida de um funcionário Comitê de Investigação da Rússia Foto: AP

Indiciamento formal de Said Amirov deve ocorrer até a próxima segunda-feira, afirma uma fonte do Comitê de Investigação da Rússia.

Um tribunal de Moscou determinou a prisão preventiva até o dia 1º de agosto de Said Amirov, prefeito de Makhatchkala, capital do Daguestão (república federada da Rússia no Cáucaso Setentrional).

Amirov foi detido por suspeita de atentado contra  a vida de um funcionário do CIR (Comitê de Investigação da Rússia). O indiciamento formal deve ocorrer até a próxima segunda-feira, afirma uma fonte do CIR. Caso Amirov seja condenado, pode pegar pelo menos dez anos de prisão.

A polícia federal começou a apertar o cerco em torno de Amirov no início deste ano, após a demissão do então governador do Daguestão, Magomedsalam Magomedov, e a nomeação de Ramazan Abdulatipov. Em março passado, foi preso o chefe da polícia de Makchatchakala, Raip Achikov, por suspeita de ligação com a chamada "gangue de promotores", responsável, de acordo com a investigação, por dezenas de assassinatos na região.

No dia 31 de maio, foram presos o vice-prefeito da cidade de Kaspisk, Iussup Japarov, sobrinho do prefeito Amirov, e o líder do grupo terrorista Makhatchkalinskaia, Sirajudin Guchuchaliev, de 24 anos. Segundo Guchuchaliev, Amirov tinha ligação com os terroristas locais. De acordo com o CIR, Amirov havia ordenado o assassinato de Arsen Gadjibekov, diretor do departamento de investigação do comitê para o bairro de Sovetski, de Makhatchkala, em dezembro de 2011.

No dia 1º de junho, Amirov foi preso pelos agentes do Centro de Operações Especiais do Serviço Federal de Segurança (FSB, na sigla em russo) em seu local de trabalho, colocado em um helicóptero e levado para Moscou.

"Amirov era um dos pilares do Cáucaso Setentrional. Sua saída do cargo é equivalente em seu impacto à de Lujkov em Moscou", disse em entrevista à “Gazeta.ru” o cientista político e membro do Conselho Científico do Centro Carnegie de Moscou, Aleksêi Malachenko.

Carreira

De acordo com o currículo oficial de Amirov, ele foi eleito pela primeira vez prefeito de Makhatchkala em 1998, com mais de 90% dos votos. Nas eleições subsequentes, em 2002, 2006 e 2010, obteve um percentual de votos semelhante. Mas na verdade, sua carreira política começou muito antes.

Em 1991, o primeiro presidente do Daguestão, Magomedali Magomedov, o nomeou para o cargo de vice-primeiro-ministro do governo local, porque ambos eram da mesma aldeia e do mesmo clã. Em 1993,  Amirov sofreu um atentado que não o matou mas o deixou em uma cadeira de rodas. Em fevereiro de 1998, venceu as primeiras eleições para prefeito de Makhatchkala. Em setembro, se tornou alvo de um outro atentado: um carro bomba com 200 kg de explosivos explodiu perto de sua casa. Ao todo, Amirov sofreu 15 atentados.

No Daguestão, ele é suspeito de ter sido o mandante dos assassinatos do deputado da assembleia legislativa local Magomed Suleimanov, do diretor da empresa Dagvodokanalstroi Toturbiev, do ex-deputado federal e chefe de uma rede criminosa Nadir Khachilaiev e de outros crimes.

No entanto, todas as suspeitas contra Amirov nunca passaram dos boatos porque sua implicação nos crimes acima citados não chegou a ser comprovada.

Amirov não só era líder dos darguinos, uma das numerosas etnias do Daguestão, mas também conseguiu unir em torno de si os lesguinos, outra etnia do país, e obter o apoio de seu líder, Imam Iaraliev, prefeito da cidade de Derbent.

Cabe notar que o ex-governador do Daguestão, Magomedsalam Magomedov, demitido em janeiro passado, também é darguino, assim como Amirov, enquanto Ramazan Abdulatipov, nomeado como seu substituto para cortar os laços entre as autoridades locais e as unidades paramilitares ilegais no território do Daguestão, pertence aos avares, a maioria étnica do Daguestão.

Embora fontes do governo local afirmem que as autoridades policias avisaram Abdulatipov de que estavam vigiando Amirov, ele diz que não estava ciente da operação policial contra o prefeito de Makhatchkala, que causou um choque na elite política do Daguestão.

"Nenhum governador regional se atreveria a mandar prender uma figura tão importante como Amirov sem a aprovação do Kremlin. O Kremlin ficou cansado desse prefeito incontrolável, embora leal",  disse Malachenko.

Segundo o especialista, o combate de Abdulatipov à corrupção e às unidades paramilitares ilegais resultará em nada se os líderes dos clãs locais como Amirov permanecerem independentes.

"Se Moscou não tomou medidas preventivas, um conflito entre os darguinos e os avares sairá muito caro para todos. Gostaria de acreditar que, antes de decretar a prisão de Amirov, Moscou calculou todas as eventuais consequências de sua decisão", disse Malachenko.

 

Publicado originalmente pelo Gazeta.ru

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