Secretário do Conselho de Segurança russo transmite mensagem de Pútin a Obama

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Pátruchev, transmitiu uma mensagem do presidente russo, Vladímir Pútin, ao seu par norte-americano, Barack Obama Foto:ITAR-TASS

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Pátruchev, transmitiu uma mensagem do presidente russo, Vladímir Pútin, ao seu par norte-americano, Barack Obama Foto:ITAR-TASS

Mensagem russa traz a visão do Kremlin sobre como um escudo antimíssil poderia funcionar na Europa.

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Pátruchev, transmitiu uma mensagem do presidente russo, Vladímir Pútin, ao seu par norte-americano, Barack Obama. A informação é da embaixada russa nos EUA.

A mensagem traz uma resposta do presidente russo à carta de Obama transmitida pelo conselheiro de segurança nacional do presidente americano, Thomas Donilon, a Vladímir  Pútin em Moscou, em 15 de abril.

As duas mensagens abordam a problemática das relações bilaterais.

Pátruchev se encontra em viagem oficial aos EUA desde 20 de maio. Na última quarta-feira (22), ele se reuniu com Donilon em encontro presenciado por breves instantes por Obama. O líder norte-americano reiterou sua intenção de reforçar as relações com a Rússia, disse a representante do Conselho de Segurança Nacional dos EUA Caitlin Hayden após a reunião.

Os países assinalaram a necessidade de estreitar a cooperação no combate ao terrorismo e discutiram a possibilidade de resolver politicamente a situação na Síria.

Segundo o jornal “Business Standard”, Pátrcuhev também se reuniu com o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel. Os temas centrais da reunião foram a problemática da defesa antimíssil, a cooperação militar e a situação na Síria, disse o porta-voz do Pentágono, George Little.

Garantias legais

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal “Izvéstia”, em sua mensagem a Pútin, Obama propôs aumentar a cooperação em matéria de defesa antimíssil e trocar informações nessa área. Já a mensagem russa traz a visão do Kremlin sobre como um escudo antimíssil poderia funcionar na Europa.

"Não estamos completamente satisfeitos com as propostas americanas", disse o presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), Aleksêi Putchkov.

"Na verdade, somos convidados a criar um bureau de informações sobre a defesa antimíssil. Mas temos outras vias para obter informações sobre novos projetos americanos nessa área. Moscou precisa de garantias legais de que o escudo antimíssil americano não será apontado contra a Rússia ou de um acordo sobre o desenvolvimento conjunto de um sistema de defesa antimíssil", acrescentou.

Segundo o deputado, Moscou acredita que o desenvolvimento do sistema de defesa antimíssil americano gera um desequilíbrio.

"O preâmbulo do Tratado Start-3, de redução de armas estratégicas, afirma que o presente documento não deve impor quaisquer restrições ao sistema americano de defesa antimíssil", adiantou Puchkov. "Acontece que a Rússia vai seguir reduzindo suas armas estratégicas ofensivas enquanto os EUA vão desenvolver novas armas para neutralizar aquilo que restar na Rússia após as reduções."

Republicanos

A iniciativa de Obama também foi contestada, embora por outras razões, pelos republicanos do Congresso americano. Empenhados em bloquear a proposta do presidente americano de cooperação com a Rússia, os republicanos puseram em debate o projeto de lei que proíbe a transmissão ao lado russo de quaisquer informações detalhadas sobre o sistema de defesa antimíssil americano, sobretudo aquelas relativas à tecnologia “hit-to-kill” (acertar para matar).

"A administração Obama está discutindo a possibilidade de divulgar os segredos de nosso sistema de defesa antimíssil", disse o senador republicano pelo estado do Alabama Mo Brooks, um dos autores do projeto de lei, durante as audições no Congresso.

O Ministério da Defesa americano nega ter a intenção de passar informações secretas à Rússia, afirmando que está estudando a hipótese de transmitir ou não à Rússia os dados sobre as capacidades dos mísseis existentes e sua taxa de queima do combustível, escreve o jornal “Izvéstia”.

"Para a aprovação de um acordo de divulgação mútua de dados sensíveis sobre a defesa antimíssil no Senado são necessários dois terços dos votos. Como os democratas não têm votos suficientes, terão de persuadir parte dos republicanos a votar favoravelmente ao projeto de lei", disse o vice-diretor do Centro de Estudos Europeus e Internacionais da Escola Superior de Economia, Dmítri Suslov.

A Rússia e os EUA possuem os sistemas de defesa antimíssil mais desenvolvidos do mundo. Nos últimos anos, os EUA têm colocado elementos de seu escudo antimíssil em diversas regiões do mundo, inclusive nas proximidades da Rússia, causando indignação de Moscou.

 

Com materiais dos veículos “Védomosti” e “Izvéstia”

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