Partido Comunista russo exalta "protesto dos trabalhadores" durante 15º congresso

Foto: Kommersant

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Conferência se absteve de criticar diretamente a liderança do país e de se pronunciar claramente sobre as ações de protesto na Praça Bolótnaia.

Durante o discurso de abertura do 15º congresso do Partido Comunista da Federação Russa (KPRF, na sigla em russo), no último sábado (23), o líder da sigla, Gennádi Ziuganov, afirmou que há 20 anos que os comunistas russos fazem oposição ao regime no poder.

Segundo Ziuganov, a sociedade demanda mudanças, a fraude eleitoral em 2011 provocou protestos generalizados e o Rússia Unida não tem mais o eleitorado dinâmico.

Por tudo isso, o KPRF fará o possível para garantir a "rápida e pacífica mudança de regime", disse o líder dos comunistas russos. Entre os oponentes políticos mais importantes da sigla, Ziuganov citou a Frente Popular, que, em sua opinião, irá substituir o Rússia Unida, e as agremiações políticas criadas pelo regime para tirar votos do KPRF.

O Partido Comunista aposta no "protesto dos trabalhadores" –as ações de protesto mais relevantes tiveram como alvo a fraude eleitoral, os baixos salários e a alta dos preços dos alimentos.

Entre os problemas do partido, Ziuganov citou a falta de pessoal nas organizações locais e a insuficiência da arrecadação de contribuições financeiras dos militantes. Por outro lado, o congresso se absteve de criticar diretamente a liderança do país e de se pronunciar claramente sobre as ações de protesto na Praça Bolótnaia.

O congresso

O congresso aprovou por unanimidade as emendas aos Estatutos do Partido Comunista, que reforçam o papel da presidência de seu Comitê Central, simplificam os procedimentos de expulsão da sigla e de dissolução de uma organização regional e permitem afastar do cargo o líder de uma organização regional pela repetida violação do programa ou Estatutos do partido ou pela desobediência à decisão de um órgão superior.

Essa disposição constava dos Estatutos do partido ainda na época de Lênin, disse o secretário do Comitê Central, Valeri Rachkin.

O Congresso aprovou uma declaração, exigindo a revisão da reforma militar em curso no país com vista a readotar a estrutura anterior das Forças Armadas baseada em regimentos, divisões, exércitos e regiões militares e a parar de fazer aquisições de equipamento militar estrangeiro.

A eleição dos órgãos dirigentes do KPRF foi realizada por voto secreto e a portas fechadas.

Ziuganov manteve o cargo de presidente do Comitê Central, enquanto o número de membros dos órgãos dirigentes aumentou em algumas dezenas. Os membros do Comitê Central comprometidos por terem criticado o KPRF e exigido a demissão de Ziuganov em uma reunião de organizações comunistas com a participação de novos partidos comunistas, a União dos Partidos Comunistas e os Comunistas da Rússia, no outono de 2012, foram afastados de seus cargos.

Depois que a bancada parlamentar do KPRF votou por unanimidade a favor da Lei Dima Iakovkvel, em retaliação à Lei Magnitski, não faz sentido os comunistas se fazerem passar por um partido da oposição, afirma o analista político Iúri Korgunok.

Segundo ele, o KPRF não representa nenhum interesse para os eleitores que se opõem ao regime ou para os jovens.

De acordo com um relatório divulgado pelo jornal Pravda, veículo de imprensa do KPRF, 43% dos militantes da sigla são aposentados e 3%, empresários. Esse é um diagnóstico negativo para o partido, disse Korgunyuk.

 

Publicado originalmente pelo Vedomosti

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