Rússia pode entrar em projeto chinês de nova Rota da Seda

Ilustração: Konstantin Maler

Ilustração: Konstantin Maler

Analista política indiano afirma que projeto poderia acelerar o desenvolvimento econômico da região euroasiática; por outro lado, é uma ameaça para os interesses dos países participantes mais fracos.

O governo chinês convidou a Índia para participar da sua iniciativa de unir a antiga rede de vias na região euro-asiática com um novo conjunto de rotas. A Rússia provavelmente participará do projeto. Os indianos ainda não decidiram se entrarão na iniciativa ou não.

Em julho, um grupo de jornalistas começou a explorar a chamada nova Rota da Seda na província de Gansu, no noroeste da China, um centro antigo de comércio.

O projeto tem três objetivos: unir Índia, Bangladesh, Mianmar e China; a parte ocidental da china com a zona portuária do Paquistão através da cordilheira de Karakoram e a parte oriental da China com outros países através de rotas por marítimas.

Os especialistas afirmam que o projeto permitirá estimular o desenvolvimento econômico regional, ajudará a desenvolver a infraestrutura de transporte de energia e melhorará a coordenação entre os países no combate ao extremismo religioso e ao terrorismo. 

No futuro, permitirá ligar a Índia com a Rússia através da Ásia Central. Especialistas afirmam que o projeto chinês parece positivo, porque permitirá conectar todos os países da região euroasiática, incluindo as áreas de difícil acesso.

O convite da China deve ser avaliado pela Índia muito cuidadosamente e sem preconceito. A Índia não deve esquecer da oferta anterior de desempenhar um papel mais importante nas organizações supranacionais, como a Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) e a Organização de Cooperação de Xangai.

A preocupação da Índia por um cerco hipotético da China não é completamente sem sentido. A China mantém uma estreita amizade com o rival da Índia, o Paquistão, e é um dos principais fornecedores de armas do país. Além disso, o Paquistão também vai participar do projeto. Segundo a análise estratégica da Índia, a China está desenvolvendo um plano para cercar o país.

Rússia

Com a adesão da Rússia ao projeto, a iniciativa será muito mais abrangente. Tanto a Índia como a China têm boas relações com a Rússia. O diretor-geral da rádio estatal China Radio International, Wang Gengnian, disse que "a viagem dos jornalistas internacionais à Rota da Seda vai ajudar a fortalecer as relações entre o Província de Gansu e as regiões da Rússia".

Além disso, a inclusão da Rússia na iniciativa moderará a relutância da Índia sobre as intenções chinesas. Sua participação no projeto permitirá receber financiamento do novo Banco de Desenvolvimento do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A Rússia pode se tornar o moderador das políticas da China na região.

Novos horizontes

Após o início da crise na Ucrânia, as relações entre a Rússia e a União Europeia começaram a piorar, o que faz com que o governo russo esteja interessado em melhorar as relações com os países da Ásia Central e do Cáucaso, com a Índia e com a China.

Neste sentido, a antiga rede de estradas, algumas das quais pertencem à Rota da Seda, poderia se tornar útil de novo. Já existem redes de transporte, como o oleoduto Siberia Oriental - Oceano Pacífico, que atravessa a Ásia Central, mas a conexão das vias existentes com uma nova rede no antigo espaço soviético abrirá novas perspectivas de desenvolvimento econômico e integração regional.

A Índia e China, por um lado, e a Rússia e os países da Ásia Central, por outro, têm milhares de quilômetros de fronteira e essa proximidade geográfica pode trazer muitos benefícios para todas as partes.

O projeto chinês também ajudará a melhorar a coordenação entre as organizações regionais. A Comunidade Econômica da Eurásia, liderada pela Rússia, poderá trabalhar diretamente com outras organizações, como a Organização para a Cooperação Econômica, a Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional, a Associação de Nações do Sudeste Asiático, entre outras.

Esses órgãos poderão se unir para promover os interesses regionais e nacionais.

 

O dr. Debidatta Aurobinda Mahapatra é analista político indiano especializado em conflitos internacionais e terrorismo

 

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