Uma resolução para o conflito palestino-israelense

Ilustração: Konstantín Maler

Ilustração: Konstantín Maler

Os eventos em Gaza se desenrolam no pior cenário possível. As partes envolvidas no conflito são incapazes de chegar a um acordo, com diversas tréguas tendo sido suspensas.

Do lançamento da operação “Limite Protetor” até o início de agosto, cerca de 1.500 palestinos morreram em Gaza; a maior parte, civis. As baixas israelenses, segundo diferentes estimativas, variam entre 63 e 100 pessoas, sobretudo militares. Apesar disso, 80% da população judia de Israel apoia a operação. Seus objetivos seriam destruir os túneis que o Hamas usa para entrar em Israel, eliminar os arsenais de armas e prender o maior número possível de membros do Hamas e de outras facções palestinas.

Em 23 de julho, uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU resultou em uma comissão para investigar as ações de Israel em Gaza. Dos 47 países-membros, 29 aprovaram sua criação. Os Estados Unidos foram os únicos que votaram contra, e os 17 representantes da Europa se abstiveram.

Moscou considera inúteis as atuais negociações e crê na necessidade de criar condições para reestabelecer o processo de diálogo. A principal razão para que isso não aconteça é o fato de os Estados Unidos terem inviabilizado no Oriente Médio a atuação do Quarteto, formado em 2002 e integrado por Rússia, UE, Estados Unidos e ONU.

Mas é extremamente difícil alcançar esses objetivos. Isso porque, apesar das recentes críticas, os EUA, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes continuam apoiando de forma escusa os esforços de Israel para destruir o Hamas e a Jihad Islâmica.

Além disso, a próxima reunião do Quarteto acontecerá em setembro à sombra da Assembleia Geral da ONU. Em terceiro lugar, o grupo tem pouca experiência conjunta, e ainda falta o apoio público necessário para interromper o conflito armado.

É evidente que, sozinha, a Rússia não pode resolver o problema palestino. Assim como nenhum outro país pode, incluindo os Estados Unidos. Somente por meio de esforços conjuntos pode-se tentar encontrar uma saída para a atual situação.

No entanto, Moscou também compreende que o fim do conflito armado não trará uma solução definitiva ao problema. Para solucioná-lo, serão necessárias mudanças positivas no desenvolvimento socioeconômico dos territórios palestinos. É por isso que a Rússia propõe a criação de um grupo de contato composto por representantes da sociedade civil que faça as reivindicações necessárias. Enquanto isso, a escalada da violência na Faixa de Gaza continua.


Vladímir Evseiev é diretor do Centro de Estudos Sócio-Políticos.

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.