Novo território, nova Frota do Mar Negro

Ilustração: Konstantin Maler

Ilustração: Konstantin Maler

Nos anos seguintes à conclusão dos acordos russo-ucranianos sobre a Frota do Mar Negro, o governo de Kiev sempre achou motivos para impedir a entrada na Crimeia de novos navios, submarinos, aviões de combate e sistemas de defesa aérea e costeira. Mas agora a situação mudou.

O presidente russo, Vladímir Pútin, ordenou ao primeiro-ministro, Dmítri Medvedev, e ao ministro da Defesa, Serguêi Choigu, a elaboração de um programa de desenvolvimento da Frota do Mar Negro até 1° de junho de 2014. O objetivo do documento é estipular as etapas para a renovação e modernização urgente da Marinha.

As mais modernas embarcações da Frota do Mar Negro são os hovercrafts porta-mísseis da classe Bora – o Projeto 1239, o Bora, o Sivutch e o Samun. Ele são armados com mísseis antinavio Moskit (3M80) e tiveram seus cascos batizados ainda no final dos anos 1980. O navio-capitânea da Frota é o cruzador da classe Slava (Projeto 1123 Atlant), armado com o complexo de mísseis anti-navio P-1000 Vulkan, e foi encomendado em 1983.  

O restante da frota é ainda mais antiga, composta por navios de patrulha, lanchas lança-mísseis e outras embarcações anfíbias. Há ainda um único submarino diesel-elétrico. O problema é que, apesar de potentes, a maioria dessas embarcações possuem 50 anos ou mais – o que as tornam incapazes para o combate moderno.

Essa modernização da frota já , na verdade, planejada pelo governo há muito tempo. Em um futuro próximo, a Frota do Mar Negro deve receber seis fragatas do Projeto 11356 Talwar, construídas em Kaliningrado pelo estaleiro Yantar. A primeira delas, chamada Almirante Grigorovitch, foi lançada ao mar no dia 14 de março e está em fase de conclusão de testes. Até o final deste ano ela deve entrar em operação na base naval de Sevastopol.

Está programada também a incorporação de seis submarinos diesel-elétricos Projeto 636,3 da classe Improved Kilo, apelidados pela Otan de “buracos negros” devido ao seu baixo nível de ruído. O primeiro deles, Novorossisk, deve entrar em operação já no verão de 2015.

Para essas embarcações modernas estava prevista ainda a construção de uma base em Novorossisk, tendo em vista que Kiev não permitia sua incorporação em Sevastopol. Mas agora os novos equipamentos poderão ser totalmente acomodados no território da península recém-anexada.

É possível que parte da frota de submarinos fique localizada em Balaclava, que, ao contrário do que pensam, não está abandonada, mas somente necessita de reforma nos túneis subaquáticos onde estão ancorados os submarinos. Essa base é toda defendida por uma cadeia de túneis contra ataques aéreos e de mísseis.

A aviação naval também necessita de modernização. As bases aéreas onde estão estacionados os caças Su-24 Fencer precisam substituir equipamentos de controle de navegação e tráfego aéreo. Esses aviões precisam de atualização, principalmente os bombardeiros de longo alcançe Tu-22M3 Backfire que estão em estado mais precário.

Os sistemas terrestres de defesa antiaérea logo receberão reforços com os novos mísseis S-350 e S-400. Acredita-se que o programa de desenvolvimento da Frota do Mar Negro contemple a modernização dos estaleiros na Crimeia. A atualização e o reforço da Frota do Mar Negro, que possui uma grande responsabilidade não somente no âmbito das fronteiras da Rússia, mas também no mar Mediterrâneo, será de imensa valia para o cumprimento de suas funções na defesa dos interesses russos na região.

Viktor Litovkin é comentarista militar da agência de notícias Itar-Tass

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