Uma nova Rússia europeia

Ilustração: Niiaz Karim

Ilustração: Niiaz Karim

Projeto de europeização empreendido por Pedro, o Grande criou condições de pacificação por todo o território imperial.

Ao longo dos trezentos anos de sua dinastia, os Romanov converteram a  Rússia em uma potência europeia. Antes disso, a Rússia era mais asiática do que europeia, pois,  desde a época da dominação tártaro-mongol, a região era mais próxima do mundo oriental.

Pedro, o Grande foi o primeiro a realmente abrir a janela para a Europa, mas o processo foi iniciado por seu pai, o tsar Aleksêi Mikhailovitch. A saída do Império Russo para a Europa foi importante, pois a Rússia não poderia existir sem as centenas de milhares de europeus que chegaram para o país. Toda a elite europeia começou visitar o Império russo, desde cientistas e engenheiros a músicos.

Talvez na Rússia nunca tenha existido uma “nação russa”.  O estrangeiro que chegou e começou a trabalhar para o bem do país assumiu os valores russos - e depois virou russo. Isso aproxima a Rússia do modelo de história dos Estados Unidos. Pode-se falar de um império multinacional, mas o mais correto seria chamá-lo de multicultural e multiétnico - o mesmo “caldeirão”  que serve de princípio da sociedade americana.

Nos Estados Unidos, a terra “não pertencia a ninguém”, e os atritos com os índios eram prontamente resolvidos pelos invasores. Já na Rússia, onde existiam muitos povos com culturas locais, as tribos sempre estiveram em conflito entre em si.

O governo imperial teve que instaurar a paz, a exemplo do modelo do Império Romano. Pedro, o Grande aplicou a força militar para acabar com as divergências em todos as áreas e criou uma grande potência graças a um esquema europeu de organização do Exército. 

Na época, a maior dificuldade era a integração da população muçulmana. Mas, ao contrário do Império Romano, que tentou incorporar os bizantinos à sua cultura, a Rússia, conseguiu superar as dificuldades desse processo. Desde a época de Ivan, o Terrível, os líderes tentaram criar uma simbiose não só multicultural, como também multirreligiosa. 

O fim do Império foi devastador, mas as causas não foram étnicas nem religiosas. Em 1917, a Rússia poderia ser dividida em Estados separados, igual à União Soviética. Mas isso não aconteceu, já que os problemas étnicos e religiosos não eram tão importantes quanto os sociais e da civilização. No lugar de um país, foi formado um novo.

 

Pável Kuzenkov é historiador e diretor acadêmico da exposição "Rússia Ortodoxa: Os Romanovs", que está em cartaz no Centro Lenexpo de São Petersburgo.Agradecemos aos organizadores pela ajuda na produção deste artigo.

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