Reforma militar resiste à troca de comando no Ministério da Defesa

Ilustração: Serguêi Iólkin

Ilustração: Serguêi Iólkin

Troca de titular da pasta gerou muitas perguntas no país e no exterior, das quais a principal era saber se o ministro da Defesa pararia a reforma iniciada por seu antecessor e em que direção ele conduziria as Forças Armadas da Rússia.

O ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu, não se apressou em rever os resultados da reforma militar. Pelo contrário, manteve os quatro Comandos Militares de Área, o esquema de três níveis de comando de tropas “região militar-exército-brigada” e as brigadas de armas combinadas criadas no lugar de divisões de infantaria mecanizada e de cavalaria blindada. Além disso, deixou em São Petersburgo o Estado-Maior da Armada e o gabinete do Comandante Geral da Marinha.

Além disso, Choigu conferiu aos comandantes dos ramos das Forças Armadas maiores poderes, inclusive relacionados à seleção e colocação do pessoal e à direção das escolas militares a eles subordinadas.

Às vésperas do Dia do Defensor da Pátria, celebrado no último sábado (23), o ministro da Defesa deu ordem para transportar a Divisão Aerotransportada instalada na cidade de Ivanovo, a 300 km de Moscou, para os Urais e colocá-la à disposição do Comandante do Comando Militar do Centro.

Com isso, sete mil homens foram levados por 20 cargueiros aéreos militares Il-776MD para o campo de provas de Tchebarkul, na região de Tcheliabinsk, nos Urais, para participar de exercícios militares táticos com o uso de armas e o envolvimento das tropas locais.  Esse foi o primeiro teste de prontidão de uma divisão inteira realizado nas Forças Armadas do país nos últimos vinte anos. Antes, as datas e horas dos exercícios militares eram normalmente divulgados de antemão.

De um modo geral, pode-se dizer que a reforma militar no país está em andamento, mas a nova cúpula do Ministério da Defesa não tem a intenção de rever as conquistas positivas do ministro anterior.

Novas armas

O submarino nuclear Iúri Dolgoruki, armado com mísseis estratégicos Bulavá, foi colocado em operação, enquanto seu par Aleksandr Névski está em testes, e o terceiro submarino desse tipo, Vladímir Monomakh, foi lançado à água. Também foi iniciada a construção do novo submarino desse projeto, Nikolar Krestitel, e anunciado o desenvolvimento dos submarinos Aleksandr  Suvorov e Mikhail Kutuzov.

A Força de Mísseis Estratégicos Novos está recebendo novos mísseis balísticos e a frota de veículos blindados também será atualizada. Em 2013, serão realizados testes com novas plataformas de grande porte para o carro de combate Armat, as de médio porte para o veículo blindado Kurganets, e as de pequeno porte para o carro Boomerang.

Em vez do veículo blindado italiano Iveco, cujos 1.775 exemplares já foram comprados por ordem do ministro anterior, o Ministério da Defesa irá comprar seu par russo Tigr. Já o porta-helicópteros francês Mistral permanece na lista de pedidos de compras militares russos.

Instalações

O esquema de terceirização de alguns serviços, entre os quais a preparação de comida e arrumação,  implantado pelo ministro anterior e criticado por alguns especialistas em assuntos militares, também será mantido. Entretanto, a função de limpeza dos quartéis será devolvida aos militares, já que, segundo a nova equipe do ministério responsável, “o soldado deve cuidar de seu lar por conta própria”.

Os soldados recrutas têm, como antes, a possibilidade de dormir por uma hora após o almoço, ligar para casa e sair do quartel aos sábados e domingos. Choigu mandou colocar nos quartéis chuveiros para que os soldados possam tomar banho quando quiserem, e não só quando são levados para um estabelecimento de banhos públicos uma vez por semana.

Entre outros aspectos da reforma mantidos pelo novo ministro estão o buffet nas cantinas e o novo uniforme.

Ensino e habitação

Choigu também implantou a prática de reuniões diárias por videoconferência na frente da imprensa e parou a reforma do sistema de ensino militar. A diretriz de seu antecessor de encerrar alguns estabelecimentos de ensino militar foi anulada, e a duração do curso nas academias militares voltou a ser de 24 meses em vez dos 10 meses fixados anteriormente.

O problema habitacional dos militares aposentados deixou de marcar passo sob o novo ministro, que ordenou a concessão de habitações aos militares cujos processos contra o Ministério da Defesa foram ganhos e continuam sem casa até agora.

Segundo os dados atualizados em 1º de janeiro de 2013, havia 33.400 militares inscritos na fila da habitação, e este número cresceu mais 22 mil recentemente devido às aposentadorias concedidas nos últimos meses. Todos esperam receber apartamentos até o final deste ano, conforme prometido.

A partir do dia 1º de janeiro de 2014, os militares prestes a se aposentar irão receber dinheiro para a aquisição de moradias. O montante a ser disponibilizado vai depender do número de membros da família do militar, do tempo de serviço e da patente militar.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.