Che Guevara e “Mona Lisa” pelas lentes de Víktor Akhlomov

Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia
Víktor Akhlomov, um dos principais fotógrafos do século 20 e diversas vezes vencedor do concurso World Press Photo, faleceu no último dia 15 de abril. Em seus 50 anos de carreira, que hoje servem de legado para as novas gerações, figuram estrelas soviéticas e a vida de um país que já não existe mais.

“Funcionárias da madeireira Kondinsky”. Tiumen. 1964. Os grandes símbolos da era da geração pré-guerra, composta por nascidos na década de 1930, estão, aos poucos, desparecendo. Nesse contexto, a morte recente do grande fotojornalista Víktor Akhlomov, um dos melhores fotógrafos do período soviético e pós-soviético, pode ser vista como um lembrete melancólico. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)“Funcionárias da madeireira Kondinsky”. Tiumen. 1964. Os grandes símbolos da era da geração pré-guerra, composta por nascidos na década de 1930, estão, aos poucos, desparecendo. Nesse contexto, a morte recente do grande fotojornalista Víktor Akhlomov, um dos melhores fotógrafos do período soviético e pós-soviético, pode ser vista como um lembrete melancólico. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

“Gaivotas da nossa juventude”. Moscou. 1970. (Comitiva do governo entra no Kremlin) Seu arquivo é um tesouro da vida soviética em suas mais diversas manifestações: imagens oficiais de Khruschov, Gagárin e as letras da “URSS” cintilando em blocos de apartamentos construídos sob a forma de livros abertos sobre a Nova Arbat aparecem ao lado de retratos boêmios de Vladímir Vissótski, Bella Akhmadullina e Marlene Dietrich, e fotos íntimas de casais enamorados em um banco no parque. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)“Gaivotas da nossa juventude”. Moscou. 1970. (Comitiva do governo entra no Kremlin) Seu arquivo é um tesouro da vida soviética em suas mais diversas manifestações: imagens oficiais de Khruschov, Gagárin e as letras da “URSS” cintilando em blocos de apartamentos construídos sob a forma de livros abertos sobre a Nova Arbat aparecem ao lado de retratos boêmios de Vladímir Vissótski, Bella Akhmadullina e Marlene Dietrich, e fotos íntimas de casais enamorados em um banco no parque. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

Vladímir Vissótski. Cena da peça ‘Antimundos’. Teatro Taganka, Moscou. 1966. Sua carreira artística de mais de meio século está associada ao jornal “Izvêstia” (porta-voz oficial do Kremlin na época soviética, porém independente desde 1991). (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)Vladímir Vissótski. Cena da peça ‘Antimundos’. Teatro Taganka, Moscou. 1966. Sua carreira artística de mais de meio século está associada ao jornal “Izvêstia” (porta-voz oficial do Kremlin na época soviética, porém independente desde 1991). (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

“As gralhas-calvas chegaram”. Primavera no parque da Universidade Estatal de Moscou, 1960 (mulheres soviéticas corajosas cortam árvores na Colina dos Pardais, então conhecida como Colina Lênin) Em 1960, Akhlomov participou de uma exposição de jovens fotógrafos na Casa Central de Jornalistas de Moscou. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)“As gralhas-calvas chegaram”. Primavera no parque da Universidade Estatal de Moscou, 1960 (mulheres soviéticas corajosas cortam árvores na Colina dos Pardais, então conhecida como Colina Lênin) Em 1960, Akhlomov participou de uma exposição de jovens fotógrafos na Casa Central de Jornalistas de Moscou. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

“Companheiros de cela” (Fotógrafos) Suas fotografias foram notadas pelo editor-chefe do “Izvêstia” Aleksêi Adjubei, outra lenda do jornalismo soviético e cunhado de Nikita Khruschov. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)“Companheiros de cela” (Fotógrafos) Suas fotografias foram notadas pelo editor-chefe do “Izvêstia” Aleksêi Adjubei, outra lenda do jornalismo soviético e cunhado de Nikita Khruschov. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

Iúri Gagárin e Ernesto Che Guevara, 11 de novembro de 1964. O recém-publicado suplemento de domingo do jornal “Nedelya” (Semana, em português) logo se tornou uma das publicações mais populares do país. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)Iúri Gagárin e Ernesto Che Guevara, 11 de novembro de 1964. O recém-publicado suplemento de domingo do jornal “Nedelya” (Semana, em português) logo se tornou uma das publicações mais populares do país. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

Praça Vermelha pela manhã. 1959. O tom mais sutil do suplemento era um contraste bem-vindo ao oficial “Izvêstia” e proporcionou espaço aos fotojornalistas que buscavam maior experimentação, entre os quais figurava Akhlomov. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)Praça Vermelha pela manhã. 1959. O tom mais sutil do suplemento era um contraste bem-vindo ao oficial “Izvêstia” e proporcionou espaço aos fotojornalistas que buscavam maior experimentação, entre os quais figurava Akhlomov. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

Operários carregam placa de “saída” na estação de metrô de Kuznetsky Most. 1973. Ao longo dos cinquenta anos de serviço para o “Izvêstia”, Akhlomov recebeu todos tipos de prêmios e elogios na empresa, incluindo o prêmio nacional “Olho de Ouro da Rússia” e o concurso internacional World Press Photo (no qual venceu quatro vezes). (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)Operários carregam placa de “saída” na estação de metrô de Kuznetsky Most. 1973. Ao longo dos cinquenta anos de serviço para o “Izvêstia”, Akhlomov recebeu todos tipos de prêmios e elogios na empresa, incluindo o prêmio nacional “Olho de Ouro da Rússia” e o concurso internacional World Press Photo (no qual venceu quatro vezes). (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

Caçando um javali. 1973. O trabalho de Akhlomov como fotógrafo começou durante o degelo de Khruschov, e suas fotos, assim como os filmes e poesias da época, refletiam os tempos de mudança. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)Caçando um javali. 1973. O trabalho de Akhlomov como fotógrafo começou durante o degelo de Khruschov, e suas fotos, assim como os filmes e poesias da época, refletiam os tempos de mudança. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

“Uma noite branca em Moscou”, Praça Komsomolskaya. 1960 e 1961. Influenciado pelo chamado “pai do fotojornalismo” Henri Cartier-Bresson, o russo dominou a capacidade de “capturar o momento”. Suas ideias romantizadas do mundo circundante definem a época soviética e ilustram a atual nostalgia quanto ao período. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)“Uma noite branca em Moscou”, Praça Komsomolskaya. 1960 e 1961. Influenciado pelo chamado “pai do fotojornalismo” Henri Cartier-Bresson, o russo dominou a capacidade de “capturar o momento”. Suas ideias romantizadas do mundo circundante definem a época soviética e ilustram a atual nostalgia quanto ao período. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

Desfile de moda em Moscou. Akhlomov trabalhou com todos os gêneros possíveis. Produziu retratos emocionantes, e registrou paisagens urbanas, imagens do proletariado e cenas do dia a dia nas ruas. Como correspondente do “Izvêstia”, também clicou diversos eventos importantes: a reunião de Gagárin com Khruschov três dias após o primeiro voo espacial; a chegada de Che Guevara e Angela Davis a Moscou; a apresentação de Marlene Dietrich na Rússia, e a turnê soviética da famosa pintura Mona Lisa. Suas lentes buscavam ainda poetas, escritores, atores, ídolos e estrelas de diferentes gerações, de Anna Akhmatova a Aleksandr Soljenítsin, do tenor de ópera Ivan Kozlovsky a Maia Plissétskaia, sem falar de seus contemporâneos, conhecida como “geração dos anos 60”, como Bella Akhmadulina e Bulat Okudjava, cujas performances lotavam salões e teatros. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)Desfile de moda em Moscou. Akhlomov trabalhou com todos os gêneros possíveis. Produziu retratos emocionantes, e registrou paisagens urbanas, imagens do proletariado e cenas do dia a dia nas ruas. Como correspondente do “Izvêstia”, também clicou diversos eventos importantes: a reunião de Gagárin com Khruschov três dias após o primeiro voo espacial; a chegada de Che Guevara e Angela Davis a Moscou; a apresentação de Marlene Dietrich na Rússia, e a turnê soviética da famosa pintura Mona Lisa. Suas lentes buscavam ainda poetas, escritores, atores, ídolos e estrelas de diferentes gerações, de Anna Akhmatova a Aleksandr Soljenítsin, do tenor de ópera Ivan Kozlovsky a Maia Plissétskaia, sem falar de seus contemporâneos, conhecida como “geração dos anos 60”, como Bella Akhmadulina e Bulat Okudjava, cujas performances lotavam salões e teatros. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

Rostropovitch. 1955. O encanto com o qual Akhlomov capturava as cenas comuns da vida nas ruas de Moscou é comparável ao do grande Brassaï em seus retratos de Paris: uma carroça puxada por cavalos cruzando uma praça entre um carro e um trólebus; um bonde e um único passageiro solitário cujos contornos se derretem na neblina; e um bando de pombos em forma de asa voando sobre as intermináveis filas do lado de fora do Mausoléu na Praça Vermelha – uma característica marcante da era soviética. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)Rostropovitch. 1955. O encanto com o qual Akhlomov capturava as cenas comuns da vida nas ruas de Moscou é comparável ao do grande Brassaï em seus retratos de Paris: uma carroça puxada por cavalos cruzando uma praça entre um carro e um trólebus; um bonde e um único passageiro solitário cujos contornos se derretem na neblina; e um bando de pombos em forma de asa voando sobre as intermináveis filas do lado de fora do Mausoléu na Praça Vermelha – uma característica marcante da era soviética. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

 Iúri Nikulin, 1963 Em seus cliques não oficiais (e, portanto, livres de qualquer protocolo), Akhlomov exibia um toque humano e humorístico: quatro homens vestidos de Papai Noel lendo jornais em um bulevar coberto de neve e proletárias podando árvores no parque em frente à imponente Universidade Estatal de Moscou, e outros marcos da fotografia. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia) Iúri Nikulin, 1963 Em seus cliques não oficiais (e, portanto, livres de qualquer protocolo), Akhlomov exibia um toque humano e humorístico: quatro homens vestidos de Papai Noel lendo jornais em um bulevar coberto de neve e proletárias podando árvores no parque em frente à imponente Universidade Estatal de Moscou, e outros marcos da fotografia. (Foto: Víktor Akhlomov/Arquivo Izvêstia)

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