‘Troika’ asiática se reúne para discutir reforma do FMI e Ucrânia

Serguêi Lavrov (à esq.), Wang Yi (centro) e Sushma Swaraj posam para fotógrafos antes da reunião entre os ministros no último dia 2 Foto: AP

Serguêi Lavrov (à esq.), Wang Yi (centro) e Sushma Swaraj posam para fotógrafos antes da reunião entre os ministros no último dia 2 Foto: AP

Sem demais parceiros do Brics, diplomatas de Moscou, Pequim e Déli se encontraram para defender interesses regionais. Imprensa internacional aventou a possibilidade de formação do “G3”, mas especialistas apontam divergências políticas e econômicas entre os três países.

Reunidos em Pequim na última segunda-feira (2), os ministros das Relações Exteriores da China, da Índia e da Rússia discutiram a reforma do FMI e a posição da Rússia na Ucrânia. Entre os países há o consenso de que os ucranianos passam por uma guerra civil e não são vítimas de uma agressão russa, como qualificam os países ocidentais.

“Como parte do Brics”, esse trio “tem interesses regionais que para o Brasil e África do Sul são menos relevantes. Por exemplo, a questão da posição da Rússia na Ucrânia”, aponta o principal pesquisador do Instituto dos Estados Unidos e Canadá da Academia de Ciências da Rússia, Serguêi Truch.

Durante o encontro, a China também demostrou interesse em um possível envolvimento dos outros dois países em seu megaprojeto “Grande Rota da Seda”, que permitirá redirecionar os fluxos de comércio chinês do mar para as vias terrestres.

Obstáculos ao G3 

Apesar da atenção da imprensa internacional às negociações em Pequim, ainda é cedo para se falar sobre a criação do G3, que poderia se tornar uma alternativa ao G7 no continente asiático. “Dois dos três ângulos desse triângulo não querem prejudicar suas relações com os Estados Unidos”, disse à Gazeta Russa o especialista em China da agência Política Internacional, Mikhail Mamonov.

As divergências de caráter político-militar entre os países também é um empecilho para a constituição de um novo grupo internacional. Embora a China seja um dos principais parceiros comerciais e investidores na Índia, Pequim e Déli mantêm contradições na esfera política – assim como existem divergências nas relações Rússia-China.

“A Grande Rota da Seda e a penetração da China nos mercados da Ásia Central criarão desafios para a realização do projeto da União Eurasiática. Empréstimos chineses não têm implicações políticas e este fato reduz a influência da Rússia sobre as repúblicas da Ásia Central”, explicou Mamonov. 

Em cima do muro

Mesmo entre os governos mais próximos do triângulo – Rússia e Índia – as relações não são tão simples. A estreita parceria na área política é prejudicada pela fraca cooperação econômica.

“Um dos principais problemas da economia da Índia é atrair capital para um poderoso avanço industrial. E nessa área a Rússia não poderá ajudar, pois ela mesma está à procura de uma oportunidade para atrair investimentos e tenta impedir a fuga de capital para o exterior”, analisa Piotr Topitchkanov, cientista político do Centro de Segurança Internacional da Academia de Ciências da Rússia.

Segundo ele, não se deve excluir a possibilidade de cooperação na área de investimentos entre Moscou e Nova Déli, mas “apenas em questões em que Moscou tem interesses sérios e específicos” – como, por exemplo, na construção de usinas de energia nuclear. 

Apesar de Rússia e Índia estarem interessadas em alta tecnologia, as sanções impostas pelo Ocidente também diminuíram a possibilidade desse tipo de cooperação.

“As empresas indianas que podem trabalhar na área da alta tecnologia com a Rússia mantém os mesmos contatos com os EUA e com o Ocidente. No caso de endurecimento das sanções, essas empresas estarão diante de uma importante decisão: ou desenvolvem as relações com a Rússia ou com o Ocidente”, arremata Topitchkanov.

 

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