Russos protagonizam novo escândalo de espionagem nos EUA

Supostos espiões são suspeitos de formação de quadrilha e estariam tentando reunir informações privilegiadas acerca de sanções contra Moscou Foto: Alamy/Legion Media

Supostos espiões são suspeitos de formação de quadrilha e estariam tentando reunir informações privilegiadas acerca de sanções contra Moscou Foto: Alamy/Legion Media

Três cidadãos do país são acusados de formação de quadrilha e espionagem em Nova York. Um deles foi detido e pode ser condenado a 10 anos de prisão. Segundo procurador-geral de Manhattan, grupo buscava reunir informações econômicas secretas, inclusive acerca de sanções norte-americanas contra Moscou.

Nos Estados Unidos, três russos estão sendo acusados de montar uma rede de espionagem que agia em Nova York.

Segundo o procurador-geral de Manhattan, Preet Bharara, os cidadãos russos Evguêni Buriakov, 39, Ígor Sporichev, 40, e Víktor Podôbni, 27, formavam uma quadrilha que recolhia informações econômicas secretas de interesse da Rússia, inclusive acerca das sanções impostas contra Moscou.

O Ministério dos Negócios Exteriores da Rússia refuta a acusação americana contra os cidadãos russos, afirmando, em comunicado, que "não foram apresentadas quaisquer provas que corroborem tais acusações".

Buriakov foi detido nessa segunda-feira (26) no Bronx e pode ser condenado a 10 anos de prisão. Ele é suspeito de agir em nome dos interesses de serviços de inteligência estrangeiros disfarçado de banqueiro.  Seu perfil pode ser encontrado no site do russo Vneshekonombank, onde ele é apresentado como vice-presidente do banco em Nova York.

O procurador-geral Bharara afirma que Buriakov não agia sozinho, mas em uma quadrilha formada com outros dois compatriotas, Ígor Sporichev e Víktor Podôbni.

De acordo com comunicado do procurador, Sporichev servia como representante comercial da Federação  da Rússia nos Estados Unidos desde novembro de 2014, enquanto Podôbni foi adido da representação permanente na ONU de dezembro de 2012 a setembro de 2013.

O procurador não exclui a possibilidade de Sporichev e Podôbni terem atraído Buriakov às atividades de espionagem. Ambos já deixaram os Estados Unidos.

Agente americano abriria cassino na Rússia

Para desmascarar Buriakov, o FBI usou um agente disfarçado de investidor com intenções de se associar ao banco para construir um cassino na Rússia, segundo o relatório. Das conversas do suposto espião com o agente, cita-se que o cidadão da Federação da Rússia tentava obter acesso a informações que "se distanciam demais das responsabilidades de um funcionário bancário".

Buriakov teria também recebido do agente do FBI um documento secreto classificado como"apenas para uso interno do Ministério das Finanças" e que contia uma lista dos cidadãos russos que seriam listados nas sanções impostas pelos EUA.

Mais tarde, o mesmo agente forneceu a Buriakov uma lista dos bancos russos que seriam afetados pelas sanções. A investigação acredita que esses documentos teriam sido repassados ao diplomata russo.

Evguêni Buriakov pode ser condenado a 10 anos de prisão, e é mantido em prisão preventiva. De acordo com a agência de notícias Ria-Nôvosti, Buriakov afirmou, na primeira sessão do julgamento, na segunda-feira, que irá defender ele mesmo sua inocência.

 

Publicado originalmente pelo Kommersant

 

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