Execução de ‘espiões russos’ pelo Estado Islâmico pode ser falsa

Foto: YouTube

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Nesta semana, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) postou um vídeo na internet que mostra a execução de dois homens apresentados como agentes do FSB(Serviço Federal de Segurança da Rússia). Especialistas não excluem a hipótese de o filme ser uma encenação feita para fins de propaganda.

Na última terça-feira (13) foi divulgado na internet um vídeo que mostra a execução de dois homens que falavam russo pelas mãos de integrantes do EI, incluindo um menino. O vídeo, com sete minutos de duração, foi feito pelo estúdio Al-Hayat, canal de mídia oficial do grupo.

Embora os serviços de inteligência da Rússia e o Ministério das Relações Exteriores não confirme os dados da suposta execução, os especialistas entrevistados pelo jornal “Kommersant” não excluem a possibilidade de o vídeo ser apenas uma encenação devido a “algumas inconsistências”.

“Isso pode ser uma encenação com fins propagandistas”, disse ao “Kommersant” o observador sueco Magnus Ranstorp. “Nesse caso, pode ter dois propósitos: servir de aviso aos serviços de segurança russos e seus aliados, bem como mostrar o potencial dos jovens terroristas a quem chamam de ‘filhos do califado’.”

A execução é antecedida por um interrogatório, no qual os homens afirmam pertencer ao FSB e dizem participar de uma missão para coletar informações sobre membros russófonos do grupo terrorista. No entanto, os sentenciados à morte, que seriam supostamente muçulmanos, não rezam antes de serem executados.

Segundo especialistas nacionais, outro fato que chama atenção é que, depois dos tiros, uma das vítimas não caiu para a frente, mas para o lado, “como se tivesse recebido instruções”. Além disso, com um disparo realizado a uma distância não superior a um metro do suposto agente, a bala da pistola Glok 9 mm usada na execução deveria ter atravessado o corpo, causando intenso sangramento.

Talvez os disparos tenham sido feitos com cartuchos de festim ou vazios, sugerem os observadores. “Além disso, quando o menino deu os tiros, o cinegrafista estava na linha de fogo e poderia ter sido atingido.”

Identidade dos agentes

Antes dos disparos, os supostos agentes do FSB se identificaram como Janbolat Iasendjanovitch Mamaiev e Serguêi Nikolaevitch Achimov, ambos nascidos no Cazaquistão. De acordo com a apuração do “Kommersant”, os homens apresentados no vídeo deram, de fato, os seus nomes reais.

Com base em testemunhos obtidos em redes sociais e informações fornecidas por conhecidos, Serguêi Achimov nasceu em 30 de março de 1984 na cidade cazaque de Caraganda. Por ser órfão, foi criado em um internato e estudou para se tornar mecânico. No final da década de 2000, mudou-se para Kazan e recebeu a cidadania russa.

Inicialmente planejava ingressar na Universidade Estatal de Moscou, mas depois optou por seguir a carreira de ator e até ingressar na Escola Superior do FSB. No final, acabou arranjando um trabalho de zelador e, um ano depois, se demitiu, registrando-se como empresário autônomo do ramo de perfumes. No ano seguinte, encerrou a atividade comercial e foi trabalhar como motorista.

Achimov se autodenominava “russo convertido ao Islã” e pedia que o tratassem por Abdullah. Em 2010 fez uma peregrinação a Meca, e, em 2011, a Hajj. Amigos dizem que ele tinha pontos de vista religiosos moderados. Sua mulher, Lília, não respondeu ao pedido de entrevista do jornal. Um de seus amigos contou que ele desapareceu há um ano e que nem a esposa não sabia do seu paradeiro.

Já Janbolat Mamaev, que nas redes sociais se apresenta como Seifullah, vivia na cidade cazaque de Merque, antes de partir para a Síria. Tem dois ou três filhos, e a sua esposa se chama Amina. O “Kommersant” não conseguiu dados suficientes que confirmassem a verdadeira profissão de Mamaiev.

 

Publicado originalmente pelo jornal Kommersant

 

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