Reação a canal de ‘contrapropaganda’ da UE sugere medo, dizem analistas

Para Moscou, novo veículo em língua russa é ‘ataque à liberdade de expressão’ Foto: Reuters

Para Moscou, novo veículo em língua russa é ‘ataque à liberdade de expressão’ Foto: Reuters

O Ministério dos Negócios Exteriores russo qualificou o plano da União Europeia de criar um canal de televisão em língua russa na Europa como um ataque à liberdade de expressão – uma reação oficial que os analistas alegam demonstrar insegurança.

“Nós sempre assumimos uma posição positiva em relação à liberdade de expressão. Mas os planos da UE de criar uma espécie de canal de contrapropaganda dificilmente pode corresponder ao conceito de liberdade de expressão”, declarou recentemente o vice-chanceler da Rússia, Aleksêi Mechkov.

A criação do canal – uma iniciativa que até agora ganhou o apoio da Letônia, Reino Unido, Dinamarca, Estônia e Lituânia – deve ser discutida em uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em 19 de janeiro.

O chanceler letão Edgars Rinkevics anunciou o projeto em uma entrevista ao BuzzFeed no final de dezembro, afirmando que o canal poderia oferecer “notícias factualmente precisas”, para contrabalançar as informações oferecidas pela televisão russa. Na ocasião, ele descreveu os veículos internacionais da Rússia como “muito agressivos” e disse que soam “mais como uma guerra de informação e propaganda”.

A dura reação do governo russo ao que é até então uma iniciativa abstrata revelou um profundo sentimento de insegurança dentro da máquina de mídia do Kremlin, sugere Vassíli Gatov, analista de mídia sediado nos Estados Unidos. Segundo ele, a declaração do ministério foi “bastante reveladora”.

“Qualquer resistência sistemática à máquina de propaganda da Rússia no exterior será sentida pelas diásporas russas de imediato, porque a propaganda aborda mitos fracos sobre a grandeza imperial da Rússia sob Pútin, espalha conspirações antiocidentais e ataca os governos do Ocidente. Não fala sobre o verdadeiros problemas de russos que vivem no exterior”, diz Gatov.

O gigante estatal de mídia Russia Today já está enfrentando dificuldades no Reino Unido, onde as autoridades ameaçaram o canal com sanções por causa de reportagens supostamente tendenciosas.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow Times

 

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