Aproximação econômica com Brasil segue na mira do Kremlin

"Por iniciativa da parte brasileira, preparamos um acordo de ampliação de contatos com a comunidade empresarial do Paraná", disse Pániuchkin Foto: divulgação

"Por iniciativa da parte brasileira, preparamos um acordo de ampliação de contatos com a comunidade empresarial do Paraná", disse Pániuchkin Foto: divulgação

Diretor-geral do Comitê Nacional para a Cooperação Econômica com os Países da América Latina, Dmítri Pániuchikn falou à Gazeta Russa das perspectivas da organização que ajuda a desenvolver a cooperação econômica, científica, técnica e cultural entre entidades russas e latino-americanas.

O Comitê Nacional para a Cooperação Econômica com os países da América Latina (CN CEPLA) foi criado em 10 fevereiro de 1998 por iniciativa de uma série de estruturas bancárias, comerciais e estatais russas, com a participação do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

O principal objetivo do Comitê Nacional é a procura de parceiros comerciais, a criação de joint ventures e o aumento de intercâmbio comercial. O diretor do comitê conversou com a Gazeta Russa. Confira trechos da entrevista.

Gazeta Russa – O Comitê foi criado há 16 anos. Essa instituição conseguiu fortalecer os laços econômicos com os parceiros latino-americanos? Como o senhor poderia resumir os êxitos de 2014?

Dmítri Pániuchkin – Neste ano, o foco do nosso trabalho foi o desenvolvimento das relações ente as universidades e centros do ensino superior.

Muitos brasileiros, argentinos, chilenos, venezuelanos, peruanos, equatorianos e cubanos estudaram nas faculdades e universidades da União Soviética. Hoje, alguns deles ocupam altos cargos em médias e grandes empresas ou cargos públicos. Por exemplo, o embaixador do Equador na Rússia, Patricio Alberto Chávez Závala, graduou-se pelo Instituto de Estradas de Moscou (MADI, na sigla em russo).

É preciso usar esse potencial, porque essas pessoas querem melhorar as relações com a Rússia. Além disso, o comitê está desenvolvendo a cooperação inter-regional.

Como funciona essa cooperação inter-regional?

Por iniciativa da parte brasileira, preparamos um acordo de ampliação de contatos com a comunidade empresarial do Paraná. Os representantes das duas principais associações do Paraná, do comércio e da indústria, já visitaram Moscou. No momento, estamos elaborando um plano de cooperação entre empresas russas e brasileiras.

Delegações de Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul e, provavelmente, de Santa Catarina planejam visitar Moscou no futuro próximo. Estou convencido de que esses contatos ajudam a melhorar relações também com outros países, como o Peru e Argentina.

Além disso, a partir de 2015, com a ajuda do CN CEPLA, os produtos da América Latina serão apresentados na Feira Comercial de Nijni Novgorod. Em 2015, a reunião do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) será realizado em Ufa, Bachkortostão.

Como o comitê promove a cooperação técnica e científica?

O CN CEPLA, junto com a Universidade Estatal do Sudoeste da Rússia, colabora com a Universidade Nacional de Engenharia do Peru (UNI). O comitê ajudou a criar o satélite russo-peruano “Chaski-1”, que foi lançado em órbita em agosto passado. Agora, estamos construindo dois novos satélites e lançamos o programa de formação de especialistas peruanos. Colaboramos com várias universidades de Equador, Chile e Brasil. Estamos criando o Centro de Troca de Inovações junto com a universidade colombiana Santander.

Acho que devemos promover os produtos russos por quaisquer formas ou meios: de educação à distância à criação de novas joint ventures. Os nossos parceiros latino-americanos acreditam que a cooperação com a Rússia ajudará a desenvolver suas economias nacionais.

 

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