Berlim e Moscou expõem preferência por Acordo de Minsk

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier (esq.), encontrou-se com seu homólogo russo, Serguêi Lavrov Foto: Ministério das Relações Exteriores da Rússia

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier (esq.), encontrou-se com seu homólogo russo, Serguêi Lavrov Foto: Ministério das Relações Exteriores da Rússia

Em visita a Moscou, ministro das Relações Exteriores alemão Frank-Walter Steinmeier concordou com seu homólogo russo, Serguêi Lavrov, que Acordo de Minsk é o único capaz de restabelecer a paz na Ucrânia.

Em visita a Moscou, na terça-feira (18), o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, encontrou-se com seu homólogo russo, Serguêi Lavrov, com quem concordou que o Acordo de Minsk, que visa à paz na Ucrânia, não deve ser abandonado.

O político alemão passou por Kiev antes de chegar à capital russa, e lá também discutiu com as autoridades locais maneiras de normalizar o sudeste do país, onde separatistas pró-Rússia e forças do governo ucraniano continuam a travar batalhas.

Lá, Steinmeier afirmou que a União Europeia está disposta a dar apoio econômico e político  à Ucrânia. O primeiro-ministro do país, Arsêni Iatseniuk, reafirmou a preferência do país pelo "formato de Genebra".

O Acordo de Minsk prevê eleições e status especial para o leste da Ucrânia.

Expecialistas divergem

“O 'formato de Minsk' pressupõe conversações diretas entre as partes envolvidas no conflito ucraniano, o que constitui sua vertente mais forte. O 'formato de Genebra' está gasto, já que a Rússia não é parte do conflito e Moscou não vê razão para acordar seja o que for com as partes beligerantes”, diz o do Centro de Pesquisas Europeias e Internacionais da Escola Superior de Economia, Timofei Bordatchov.

O cientista político do Centro de Pesquisas Políticas da Rússia, Iúri Fiôdorov, porém, discorda.

“Moscou insiste no formato de Minsk para obrigar Kiev a retificar de fato os resultados das eleições de 2 de novembro e a reconhecer as autoridades de Donbass como representantes legítimas da população, além de forçar os líderes da Ucrânia e da União Europeia a se responsabilizar pelos problemas sociais  do sudeste do país", diz.

Segundo ele, mais cedo ou mais tarde os líderes de Donbass farão parte do establishment político ucraniano. Isso daria a Moscou uma poderosa ferramenta de pressão sobre a Ucrânia, sobretudo, para alcançar a federalização.  

"Kiev, porém, não pode de boa vontade abrir mão de Donbass, e não consegue, por meio da força, abafar o motim separatista. É esse conjunto de circunstâncias que determina a posição de Iatseniuk: reduzir as conversações de Genebra à retirada das tropas russas, à delimitação das fronteiras, à resolução do problema do aeroporto de Donetsk e ao afastamento de armas pesadas da fronteira", afirma Fiôdorov.

 

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