Empresas militares privadas entram em pauta na Duma

Empresas militares ocidentais atuaram no Oriente Médio e na Ucrânia Foto: wikicommons

Empresas militares ocidentais atuaram no Oriente Médio e na Ucrânia Foto: wikicommons

Em um movimento inspirado pelo exemplo das empresas militares privadas norte-americanas, como a Blackwater, um partido político russo propôs legalizar a criação de empresas de segurança fortemente armadas para uso no exterior. Atual contexto político foi usado para justificar novo projeto de lei.

O vice-presidente do partido Rússia Justa, Mikhail Iemelianov, explicou que o projeto de lei encaminhado à Duma (câmara dos deputados na Rússia) nesta quarta-feira (22) foi inspirado pelo sucesso financeiro e influência internacional de empresas privadas militares usadas extensivamente no Oriente Médio por nações ocidentais.

Essa indústria floresceu na última década, como mostra o caso dos EUA. Os norte-americanos se utilizaram desses serviços para vigiar edifícios, pessoas e comboios no Afeganistão e no Iraque.

O setor de empresas militares privadas foi estimado em US$ 55 bilhões em 2010, segundo o Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo.

“Eles não só ganham um dinheiro razoável, como também participam ativamente do plano geopolítico”, disse Iemelianov, citado pela agência Ria-Nôvosti.

O deputado não se concentrou, contudo, nas possibilidades comerciais de tais empresas, e sim no potencial para promover os objetivos de política externa da Rússia. “Por não dispor desse tipo de empresa, o país privou-se de uma arma crucial na batalha contra a influência ocidental”, disse Iemelianov.

As empresas militares ocidentais “brilharam no Oriente Médio, e agora estamos vendo os seus representantes na Ucrânia. Nós também precisamos criar essa estrutura”, disse o líder do partido Rússia Justa, acrescentando que “no contexto da nova situação política externa, esse projeto de lei é muito relevante”.

As empresas militares privadas da Rússia seriam compostas por ex-militares dispostos a desempenhar missões armadas e de segurança, mesmo em territórios estrangeiros, sugeriu o deputado.

 

Publicado originalmente pela agência Tass

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