Guerra contra EI precisa ser global, dizem especialistas

Em todas as suas declarações, os combatentes falam sobre a recuperação do império do Islã desde a Espanha até Bukhara Foto: AFP/East News

Em todas as suas declarações, os combatentes falam sobre a recuperação do império do Islã desde a Espanha até Bukhara Foto: AFP/East News

Nas últimas semanas, os jihadistas do grupo radical Estado Islâmico ganharam a atenção mundial com suas ameaças e a divulgação de vídeos em que decapitam dois jornalistas americanos capturados na Síria. Especialistas ouvidos pela Gazeta Russa classificam o grupo como uma "ameaça mortal", enquanto políticos afirmam que é preciso juntar as forças da comunidade internacional na luta contra essa ameaça.

Em 2 de setembro, o ministro das Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov, declarou que a comunidade internacional deve "se unir contra a ameaça do terrorismo internacional e lutar sem padrões duplos".

O chanceler russo disse que a posição do Ocidente é inviável, uma vez que os países ocidentais ajudam a combater os guerrilheiros do Estado Islâmico no Iraque, mas na Síria apoiam os combatentes que lutam contra o regime de Bashar al-Asad.

"Devemos nos unir em uma base sólida para a luta contra o terrorismo em todas as suas manifestações, não podemos justificar os terroristas, não podemos dividi-los em ‘bons’ e  ‘maus’, mesmo que eles lutem contra um regime indesejado”, declarou o chefe da diplomacia russa.

Operação terrestre

O pesquisador chefe do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia de Ciências da Rússia, Geôrgi Mírski, declarou à Gazeta Russa que o Estado Islâmico é uma "ameaça mortal" que obriga relegar para segundo plano todas as outras discrepâncias, incluindo o conflito na Ucrânia.

"Em todas as suas declarações, os combatentes falam sobre a recuperação do império do Islã desde a Espanha até Bukhara. Se os jihadistas do Estado Islâmico receberem acesso ao petróleo curdo, eles terão todos os recursos para a expansão. Invadirão a Jordânia e a Arábia Saudita. Podemos falar de um verdadeiro califado", diz Mírski.

O especialista acrescentou que as regiões muçulmanas da Rússia também são alvos dos extremistas, em primeiro lugar o Cáucaso do Norte e a Região do Volga.

Mírski afirma que o Estado Islâmico pode ser derrotado apenas por meios militares, as medidas econômicas e políticas não são suficientes.

“Mas agora não existem condições adequadas para a realização de uma operação militar terrestre contra os radicias islâmicos”, diz.

“A sociedade ocidental está cansada das guerras, é preciso evitar o envio de grandes contingentes de infantaria ao Iraque. O retorno dos norte-americanos a esse país aumentaria o número dos novos voluntários no Estado Islâmico que querem lutar contra a aliança entre americanos, judeus e xiitas. Assim, o compromisso com os curdos agora é justificado. Mas isso não é suficiente, porque o Estado Islâmico também tem bases na Síria. É preciso estabelecer contatos com Bashar al-Asad", completou Mírski.

Moscou prefere ações

O presidente do Comitê para os Assuntos Internacionais do Conselho da Federação da Rússia (câmara alta), o senador Mikhail Marguelov, disse à Gazeta Russa que o país "está disposto a participar da luta contra os radicais islâmicos no Oriente Médio, mas que os Estados Unidos não querem que a Rússia esteja envolvida".

Marguelov disse que segudo a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, "existe uma série de países que poderiam ser mais construtivos [do que a Rússia] nessa situação".

"Aparentemente, é construtivo bombardear o Estado Islâmico no Iraque e apoiar a parte dos radicias na Síria", disse Marguelov.

O senador declarou que o Estado Islâmico ainda não se tornou uma verdadeira dor de cabeça para os Estados Unidos.

"As negociações com os terroristas e a condenação verbal de suas ações é uma tarefa inútil. A Rússia ajuda de uma maneira mais concreta: fornecemos armamento moderno às forças armadas iraquianas, inclusive os caças Su-25”, diz.

O senador acrescentou que agora não está claro quem poderia entrar na “coalizão anti-jihadista”.

"Conversamos muito sobre isso, especialmente depois de 11 de Setembro. Naquele tempo, a Rússia e os Estados Unidos estavam dispostos a unir-se contra qualquer ameaça terrorista. A Rússia não mudou sua posição. É preciso se unir para lutar contra os terroristas. No entanto, enquanto existem terroristas ‘amigos’ e ‘inimigos’, isso é impossível”, completou.

 

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