Maioria dos russos acredita que país tem boas relações com a América Latina

De acordo com os dados da FOM, 62% dos cidadãos acreditam que atualmente a Rússia tem boas relações com os países da América Latina Foto: Vanessa Correa da Silva

De acordo com os dados da FOM, 62% dos cidadãos acreditam que atualmente a Rússia tem boas relações com os países da América Latina Foto: Vanessa Correa da Silva

Para especialistas, opinião favorável em relação a países latino-americanos foi influenciada por visita de Pútin à região em julho.

A Fundação Opinião Pública (FOM, na sigla em russo) descobriu que a maioria dos cidadãos russos avalia positivamente o cancelamento da dívida de Cuba pela Rússia e, de modo geral, considera amigáveis as relações com países da América Latina. Para especialistas, isso se deve em parte ao fato de a Rússia viver um momento de afinidade com a América Latina e os russos "traduzirem o que veem na TV”.

De acordo com os dados da FOM, 62% dos cidadãos acreditam que atualmente a Rússia tem boas relações com os países da América Latina. Apenas 16% acham que a Rússia não mantém relações amigáveis com esses Estados e 22% tiveram dificuldade em responder. Brasil (52%), Cuba (40%), Argentina (37%), assim como a Venezuela (17%) são citados pelos russos como países dessa região com os quais se estabeleceram as melhores relações.

Em julho, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguêi Lavrov, também falou sobre os “laços historicamente fortes” com a América Latina ao se apresentar em uma conferência internacional em Montevidéu, no Uruguai. "A tendência de fortalecimento das relações com a América Latina existe e se desenvolve há muito tempo em nossa política externa. Atualmente, o governo russo tem uma intenção muito séria de diferenciar e diversificar nossas relações econômicas e comerciais externas", declarou ao jornal “Kommersant” Mikhail Beliat, pesquisador da Universidade Estatal de Humanidades e especialista em América Latina.

Os especialistas consideram que as opiniões dos cidadãos foram reforçadas pela viagem de uma semana do presidente russo, Vladímir Pútin, à América Latina, durante a qual foi feita a declaração sobre o perdão de 90% da dívida de US$ 35 bilhões de Cuba. De acordo com os dados da FOM, 55% dos russos consideraram que a Rússia agiu corretamente ao perdoar a dívida de Cuba (30% dos entrevistados não apoiam essa atitude). A maioria dos cidadãos da Rússia (63%) considera que em termos de nível de desenvolvimento econômico a Rússia está à frente da América Latina. Outros 18% pensam que a Rússia está no mesmo nível que a região e apenas 10% acham a Rússia menos desenvolvida do que seus parceiros latino-americanos.

Questionados se é mais importante para a Rússia manter boas relações com os países da América Latina ou com os países da Europa, apenas 4% escolheram o lado latino-americano, enquanto 13% estão definitivamente inclinados para os países da Europa e a maioria (78%) dos entrevistados declarou que tanto as relações com os países da América Latina como com os países da Europa são importantes.

"A Rússia não tem sérias diferenças com os países da América Latina, por isso os cidadãos os identificam como amigáveis", afirma o analista político Aleksêi Tcherniaiev. De acordo com ele, a maioria das pessoas só está "traduzindo o que vê na TV" e, em princípio, "não está inclinada a procurar aliados fora dos limites da Rússia”, mesmo no contexto das sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia.

 

Publicado originalmente pelo Kommersant

 

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