Polícia da Rússia encontra provas do envolvimento de piloto ucraniana na morte de jornalistas russos

Savtchenko, 31, cumpriu serviço militar no contingente de paz ucraniano no Iraque Foto: ITAR-TASS

Savtchenko, 31, cumpriu serviço militar no contingente de paz ucraniano no Iraque Foto: ITAR-TASS

O presidente da Ucrânia prometeu fazer o possível para libertar a militar Nadejda Savtchenko, detida em junho.

A polícia russa descobriu provas do envolvimento da piloto ucraniana Nadejda Savtchenko no assassinato de dois jornalistas russos do canal de televisão estatal Russia-24, disse o chefe do departamento de investigação de crimes relacionados com o uso de métodos de guerra proibidos, Aleksandr Drimanov. A militar foi detida pelas milícias em 18 de junho, no dia seguinte à morte dos correspondentes.

Savtchenko, 31, cumpriu serviço militar no contingente de paz ucraniano no Iraque, e em 2009 graduou-se em Kharkov, na Universidade da Força Aérea. Ela é militar das Forças Armadas da Ucrânia com especialização de operadora-artilheira do helicóptero Mi-24.

"Segundo a nossa versão, Savtchenko abriu fogo contra os jornalistas e refugiados que estavam ao lado deles. Sua participação foi confirmada principalmente pela investigação detalhada das chamadas feitas do seu celular, que foi confiscado durante sua prisão na Rússia", disse Drimanov ao jornal russo “Kommersant”.

Segundo o investigador, entre os pertences da suspeita foi encontrado um mapa da área em que se encontravam os jornalistas, dividido em quadrados. Ele acrescentou que o comitê de investigação da Rússia está se preparando para acusar à revelia o comandante ucraniano do batalhão Aidar, que atua no sudeste da Ucrânia, Serguêi Melnitchuk, por cumplicidade no assassinato dos jornalistas russos.

"Nós já conseguimos determinar que foram os seus subordinados que abriram fogo e mataram os jornalistas da RTR Anton Volochin e Igor Korneliuk", disse o chefe do departamento de investigação.

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, prometeu fazer todo o possível para libertar a militar ucraniana, que se encontra detida na região de Voronejski, fronteiriça à Ucrânia. "Nadejda Savtchenko é um exemplo digno para muitos homens. Estou fazendo todo o possível para libertá-la", escreveu Porochenko em seu Twitter.

Entrevista

Esta semana Nadejda Savtchenko deu a primeira entrevista após a sua captura e prisão, na qual disse ao canal televisivo russo Life News que não foram as milícias do sudeste que abateram o Boeing 777 da Malaysia Airlines.

"As milícias têm, de fato, bons militares, mas eles não conseguiriam derrubar aquele avião. Até agora tudo indica que ele foi abatido pelo sistema de mísseis Buk, mas mesmo que eles tenham um lançador desse sistema, não é suficiente para derrubar o avião a uma altitude de dez mil metros", disse Savtchenko.

Segundo ela, para destruir um alvo a tal altitude é necessário trabalhar com um sistema especial de mira de precisão que só pode ser manipulado por alguém treinado. "Para isso, essa pessoa teria que treinar muito, caso contrário é simplesmente impossível conseguir acertar o alvo", ressaltou.

A militar ucraniana disse que as ações militares no país devem ser interrompidas o mais rápido possível. "Acho que está na hora de parar com tudo isso e seguir cada um em direções diferentes. Bastaria chamar de volta as forças armadas ucranianas que estão no Donbass. As pessoas que continuam lutando acreditam de verdade na razão de sua causa e não irão se render", alertou Savtchenko.

Segundo informou a militar, ela foi apanhada pelas milícias na região de Lugansk no dia seguinte ao do assassinato dos jornalistas. Savtchenko disse que naquele momento estava ajudando a evacuar militares ucranianos feridos.

"Eu fui buscar os nossos feridos. Perto da povoação de Metallist foram apanhados dois blindados nossos e então eu fui lá para pegar os feridos. Eu não sei ao certo quantos eram, vi apenas quatro feridos. Pedi então que enviassem um carro para levá-los, e foi então que me prenderam", disse em outra entrevista, ao jornal “Komsomolskaya Pravda”. A piloto não esconde que participou de ações militares no sudeste e que foi com esse objetivo que se tornou voluntária e se juntou ao batalhão Aidar. No entanto, ela não reconhece a sua culpa no assassinato dos jornalistas.

A história da militar ucraniana se tornou conhecida no dia 9 de julho, quando foi divulgado no YouTube um vídeo de seu interrogatório. No vídeo, Savtchenko aparece algemada sendo interrogada por pessoas desconhecidas, que tentam saber o número de homens e a localização das tropas ucranianas, mas ela se recusa a falar. 

 

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