Jornais russos acompanham desdobramentos de tragédia na Ucrânia

Ministério da Defesa russo acusou Kiev de falsificação de provas Foto: AP

Ministério da Defesa russo acusou Kiev de falsificação de provas Foto: AP

Publicações destacam falta de provas concretas contra a Rússia em acusação sobre envolvimento na queda do avião da Malaysia Airlines.

Dando prosseguimento à cobertura da tragédia do Boeing 777, o jornal "Kommersant" noticiou que os representantes do Serviço Nacional de Inteligência dos EUA realizaram uma reunião fechada em Washington sobre a queda do avião malaio na Ucrânia. Segundo o jornal, os EUA não sabem quem derrubou o avião, mas estão propensos a acreditar que milícias separatistas poderiam tê-lo abatido "por engano".

O “Kommersant” disse ainda que o serviço de inteligência dos EUA não pôde comprovar o envolvimento das forças russas com a queda do avião, mas considerou "insustentáveis​​" os dados do Ministério da Defesa russo sobre o acidente.O jornal destacou, entretanto, que funcionários de inteligência dos EUA se negaram a fornecer aos jornalistas documentos que fundamentassem essas conclusões.

"Segundo eles, o Serviço Nacional de Inteligência dos EUA baseia suas conclusões em imagens de satélite, grampos telefônicos e dados de redes sociais", escreveu o jornal.

O jornal "Nezavissimaia Gazeta" observou que o acidente com o Boeing não afetou a posição de Bruxelas. De acordo com a publicação, o Conselho Europeu de Relações Exteriores tem a tarefa de, até quinta-feira (24), preparar uma lista de pessoas físicas e jurídicas da Rússia que seriam responsáveis pela escalada do conflito no leste da Ucrânia, e a quem podem ser impostas sanções.

A publicação enfatizou que, ao contrário dos clamores dos EUA, a catástrofe não se tornou para Bruxelas um sinal de alarme, e ainda não se fala em uma terceira fase de sanções. Os argumentos de Washington a favor de culpar os separatistas pela tragédia são baseados em dados tirados de redes sociais e da avaliação geral da situação operacional, e, principalmente, em informações dos serviços de inteligência, que os EUA não têm pressa em publicar, escreveu o jornal.

O “Nezavissimaia” sugere que Bruxelas poderá em breve considerar medidas restritivas em relação à Rússia no campo da defesa. "Por fim, a União Europeia poderá limitar o acesso da Rússia aos mercados financeiros e a tecnologias sensíveis, se o governo russo não cumprir com as disposições da resolução adotada na segunda-feira (21) pelo Conselho de Segurança da ONU."

"Na história com o Boeing, a inteligência dos EUA não encontrou nenhuma evidência contra a Rússia", escreveu o portal "Gazeta.ru". Quase uma semana após a queda do avião, as autoridades americanas admitiram, segundo a publicação, que não têm nenhuma prova do envolvimento direto da Rússia com a tragédia.

Segundo o portal, os Estados Unidos reclamaram que a busca de provas foi feita através "de boatos nas redes sociais, replicáveis sem a devida verificação pelas autoridades ucranianas". Por exemplo, de acordo com uma fonte oficial da inteligência dos EUA, Kiev publicou um vídeo que mostra um sistema de mísseis Buk, do qual supostamente foi lançado o foguete no Boeing 777, cruzando a fronteira com a Rússia. No entanto, mais tarde soube-se que este vídeo não está relacionado com os acontecimentos recentes.

A publicação salientou que o Ministério da Defesa russo também acusou Kiev de falsificação de provas. Apesar disso, escreveu o "Gazeta.ru", uma fonte da inteligência dos EUA disse que " ao armar os separatistas, a Rússia criou as condições para a tragédia".

Foi lembrado ainda que anteriormente os EUA fizeram uma série de declarações sobre o envolvimento russo no acidente de avião. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, acusou diretamente a Rússia de cumplicidade no ataque ao Boeing, e Moscou, por sua vez, rebateu as acusações e pediu que os EUA compreendam a atual situação.

 

 

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