Resolução da ONU condena tragédia do Boeing 777

O projeto de resolução foi apresentado pela Austrália, que perdeu 27 cidadãos na tragédia Foto: Reuters

O projeto de resolução foi apresentado pela Austrália, que perdeu 27 cidadãos na tragédia Foto: Reuters

Líderes mundiais pedem investigação para encontrar responsáveis pela queda do avião no leste da Ucrânia.

Em votação unânime, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução condenando as ações que levaram à queda do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia e exigindo a realização de uma investigação completa e independente sobre a tragédia, de acordo com as diretrizes da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

O projeto de resolução foi apresentado pela Austrália, que perdeu 27 cidadãos na tragédia. O Conselho de Segurança da ONU exigiu “a interrupção imediata de todas as ações militares conduzidas por grupos armados no local do acidente e nas áreas adjacentes, de modo que a investigação internacional sobre o acidente ocorra de modo seguro”.

A resolução determinou ainda que “os grupos armados que agora controlam o local do acidente e as áreas circundantes devem garantir a integridade de tais lugares e evitar a destruição, remoção, ou danos aos equipamentos, escombros e pertences pessoais das vítimas”.

Confirmando os pedidos anteriores, o documento também destaca a necessidade de acesso ao local do acidente por “missões especiais de monitoramento da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) e representantes de outras organizações internacionais relevantes”, bem como a urgência de se organizar a segurança dos especialistas.

A resolução condena as ações que levaram ao abate do avião e exige “que sejam levados à justiça os responsáveis por este acidente”. O Conselho ainda expressou suas condolências às famílias das vítimas, aos povos e aos governos dos países cujos cidadãos morreram na tragédia.

Declarações de representantes

A representante permanente dos EUA na ONU, Samatha Power, disse que o mais provável é que o avião tenha sido atingido por um míssil do tipo “terra-ar”.

“Ao avaliar as provas que possuímos até agora, podemos dizer que o avião foi atingido por um míssil ‘terra-ar’ a uma altitude de 33 mil pés (aproximadamente 10 mil metros) quando estava voando dentro do corredor aéreo específico para o tráfego comercial. Sabemos que os sistemas antiaéreos disponíveis para os rebeldes não eram capazes de derrubar o avião em tais condições. Os rebeldes ostentaram nas redes sociais que derrubaram um avião comercial, mas depois retiraram as mensagens. Não é plausível que eles soubessem manejar independentemente os complexos sistemas antiaéreos Buk; para tanto necessitariam de ajuda de especialistas”, afirmou Power.

A representante americana também observou que no dia do acidente não houve lançamento de mísseis por parte do exército ucraniano.

“Se o presidente Pútin continuar a promover a escalada do conflito, a comunidade internacional irá expandir as sanções”, acrescentou Power. “A Rússia deve por um fim a esta guerra. Ela tem capacidade de fazer isso.”

Por sua vez, o representante ucraniano na ONU, Vitáli Tchúrkin, afirmou durante a sessão que os rebeldes possuem em seu arsenal duas baterias de mísseis antiaéreos Buk-M1. “De acordo com os dados de líderes terroristas interceptados por nossos sistemas eletrônicos, havia vídeos onde apareciam duas baterias do sistema Buk. A questão que se levanta é: onde eles conseguiram tais sistemas? Estamos cientes também de que dois cidadãos russos especialistas em controle de tiro estiveram com os rebeldes”, afirmou o representante.

Tchúrkin também pediu aos países para “se absterem de tirar conclusões politizadas sobre o ocorrido e a investigação” e fez questão de esclarecer que “as circustâncias do acidente estão sendo investigadas com a liderança da OACI”.

O representante da China na ONU, Liu Jieyi, também confimou que a OACI deve ter uma posição preponderante nas investigações. Ele acrescentou que agora “todos devem se concentrar em encontrar a verdade sobre o acidente”. “Antes disso, ninguém deve tirar conclusões apressadas ou se envolver em acusações mútuas”, alertou o representante chinês.

Já o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, elogiou e aprovou a resolução. Segundo ele, “a Austrália irá continuar a fazer tudo que estiver ao seu alcance para garantir uma investigação adequada sobre este ato bárbaro e trazer seus autores à justiça”.

 

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