Diferentes versões contrastam em queda de avião na Ucrânia

Na quinta-feira (17), um Boeing 777 da Malaysia Airlines que fazia a rota Amsterdã - Kuala Lumpur, caiu no território da Ucrânia Foto: Reuters

Na quinta-feira (17), um Boeing 777 da Malaysia Airlines que fazia a rota Amsterdã - Kuala Lumpur, caiu no território da Ucrânia Foto: Reuters

No início da noite de quinta-feira (17) um Boeing 777 da Malaysia Airlines que partia de Amsterdã a Kuala-Lumpur caiu no sudeste da Ucrânia. O avião perdeu comunicação com os controladores a 50 km da fronteira russo-ucraniana. Desde então, diferentes hipóteses surgiram para explicar o desastre.

O Assessor do Ministro do Interior da Ucrânia, Anton Gerashchenko, escreveu em seu Facebook que o avião foi abatido por um sistema de mísseis antiaéreo Buk.

Mas o procurador-geral do país,Vitáli Iarema, em entrevista à "Ukrainskaia Pravda", declarou que as milícias separatistas das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, pró-Rússia, não têm acesso a sistemas de mísseis Buk e S-300.

"Depois que o avião civil foi abatido, os militares informaram o presidente de que os terroristas não estão com nossos lança mísseis Buk e S-300. Não houve captura dessas armas", disse Iarema.Já o governo da República Popular de Donetsk (RPD) negou qualquer envolvimento no acidente com o avião da Malaysia Airlines.

Na quinta-feira (17), um Boeing 777 da Malaysia Airlines que fazia a rota Amsterdã - Kuala Lumpur, caiu no território da Ucrânia, na unidade federativa de Donetsk.

A bordo do avião estavam 283 passageiros e 15 membros da tripulação. Segundo dados da companhia aérea, 154 eram holandeses, 27 australianos, 23 malásios, 11 indonésios, 6 britânicos, 4 alemães, 4 belgas, 3 filipinos e 1 canadense. A nacionalidade de 41 passageiros ainda não foi identificada. Segundo informou a agência Ria-Nóvosti, havia 23 norte-americanos entre os passageiros. Todos os 15 tripulantes eram malásios.

"Os insurgentes não têm o tipo de armamento que poderia derrubar um avião a 10 km de altura. Nós temos lançadores portáteis de mísseis terra-ar, que derrubam aviões a uma altura de, no máximo, 3 a 4 km", declarou o porta-voz do premiê da RPD, Serguêi Kavtaradze, que culpou o exército da Ucrânia pela queda do avião.

Porochenko: ato terrorista

Segundo escreveu em seu Twitter o assessor de Petrô Porochenko, o presidente disse sobre o desastre: "Isso não é um incidente, nem uma catástrofe, mas um ato terrorista".

A administração do presidente da Ucrânia declarou que o avião pode ter sido derrubado a partir do território da Rússia, e sublinhou que "o exército ucraniano não executou nenhuma ação de destruição de alvos voadores na região do acidente".

A versão russa

Radares russos registraram o funcionamento do radar 9c18 "Kupol" da bateria de mísseis antiaéreos "Buk-M1", localizado na região do povoamento de Stil, 30 km a sul de Donetsk, anunciou o Ministério da Defesa da Rússia na quinta-feira (17).

O Ministério alegou que as características técnicas do sistema de defesa antiaérea "Buk-M1" permitem a troca de informações sobre alvos voadores entre as baterias das divisões.

Assim, o Ministério da Defesa russo sublinhou que o lançamento de mísseis pode ter sido feito de qualquer bateria localizada no povoamento Avdeevk (8 km a norte de Donetsk) ou Gruzsko-Zarianskoe (25 km a leste de Donetsk).

"O exército russo não tem sistemas de defesa antiaérea Buk-M1, do qual fala a imprensa. No armamento de nosso exército há sistemas de defesa antiaérea Buk-M2, que podem ser facilmente distinguidos visualmente do Buk-M1, mesmo por uma pessoa inexperiente. Aliás, o Buk-M1 faz parte do armamento do exército ucraniano", diz o general do exército russo e especialista militar independente, Viktor Litóvkin.

Ele sublinha que na fronteira russo-ucraniana podem haver sistemas Buk-M2, mas o avião foi derrubado a uma distância significativa da Rússia, e o alcance de tiro desse sistema de defesa antiaérea está limitado a 30 km.

"O Boeing 777 caiu a uma distância de 50 km da nossa fronteira. O avião não se desfez no ar, ou planou cerca cem quilômetros antes de cair. Isso é provado pelo depoimento detestemunhas oculares que viram que ele não estava dispersono ar, mas caiu no chão", Litóvkin.

Confronto no ar

De acordo com o portal russo Dni.ru, o Boeing 777 poderia ter enfrentado um Su-25 ucraniano.

"Testemunhas que viram o voo do avião civil Boeing 777 viram o ataque de um caça da força aérea da Ucrânia. Depois disso, o avião civil dividiu-se em duas partes no ar e caiu no território da RPD", lê-se no portal.

Um homem que afirma ser espanhol e trabalhar como controlador de tráfego aéreo no aeroporto Boryspil, em Kiev, escreveu em seu Twitter que duas aeronaves da Força Aérea da Ucrânia foram vistas perto do avião poucos minutos antes de sua queda.

"Antes de ter desaparecido dos radares, os aviões militares voaram perto do Boeing 777 por três minutos", escreveu em seu Twitter. "Quando o Boeing desapareceu dos radares, as autoridades de Kiev nos informaram que ele caiu. Como eles poderiam ter tomado conhecimento tão rapidamente?" Em seguida, a conta de Twitter foi apagada do Twitter.

O Serviço Europeu de Controle do Espaço Aéreo avalia a catástrofe com o avião civil malásio Boeing 777 no Leste da Ucrânia como um acidente, de acordo com declaração do porta-voz do órgão ao jornal alemão Welt-Online. 

 

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