Milícias negam envolvimento em queda de avião na Ucrânia

Boeing que partiu de Amsterdam rumo a Kuala Lumpur portava 280 passageiros e 15 membros da tripulação. Todas as 295 pessoas a bordo morreram no acidente.

O Exército ucraniano e as milícias das repúblicas populares de Donbass negaram prontamente o seu envolvimento na queda do avião, que aconteceu a quase 50 km da fronteira com a Rússia, perto do povoado ucraniano de Snejnoe. As forças de combate também foram excluídas de qualquer responsabilidade, segundo declaração do presidente da Ucrânia, Petrô Porochenko, publicada no site oficial do governo.

“Ressaltamos que as Forças Armadas da Ucrânia não realizaram nenhuma ação de abate de alvos aéreos”, lê-se no comunicado. Segundo o presidente ucraniano, foi criada criada uma comissão especial para investigar o incidente. Paralelamente, o vice-chanceler da Ucrânia, Anton Guerachenko, ressaltou o fato de o avião ter sido abatido por um míssil terra-ar do sistema Buk, semelhante ao que as milícias possuem.

No entanto, o representante da RPD (República Popular de Donetsk), Serguêi Kavtaradze, garantiu à agência Interfax que as milícias não estão envolvidas no ocorrido. “O avião foi abatido pela parte ucraniana. Nós simplesmente não temos esse tipo de defesa aérea, os nossos sistemas de defesa aérea portáteis têm um alcance de 3 a 4 mil metros e o Boeing estava voando a uma altitude bem maior”, explicou.

As milícias se dizem dispostas a permitir a entrada de especialistas internacionais para investigar as causas do desastre. “O governo da RPD está interessado ​​em apurar as circunstâncias da tragédia e permitir que especialistas internacionais venham investigar tudo o que aconteceu", declarou o primeiro-ministro da RPD, Aleksandr Borodai.

O avião da companhia Malaysia Airlines caiu a cerca de 80 quilômetros de Donetsk, e a comunicação com a aeronave foi interrompida enquanto voava a 10.000 metros de altitude. Os corpos das vítimas foram encontrados nas proximidades de Snejnoe, e os destroços da aeronave estão espalhados por uma área de cerca de um quilômetro. 

Fonte: YouTube

Logo após a tragédia, as companhias aéreas russas Aeroflot e Transaero, a alemã Lufthansa e a francesa Air France deixaram de sobrevoar o espaço aéreo da Ucrânia. Na sequência, outras companhias também passaram a evitar o transporte de passageiros sobre o país.

Repercussão internacional

O premiê da Malásia, Najib Tun Razak, publicou uma mensagem em seu Twitter lamentando o acidente. “Estou em choque com os relatos da queda do avião. Um inquérito será aberto imediatamente”, escreveu. Paralelamente, o ministro da Defesa da Malásia, Hishamuddin Hussein, não confirmou a teoria de que o avião teria sido abatido.

Já o presidente russo, Vladímir Pútin, teve uma conversa telefônica com o líder dos EUA, Barack Obama, sobre o acidente. Pútin também prestou suas condolências ao premiê da Malásia. “O líder russo transmite as mais sinceras palavras de pesar e apoio às famílias e amigos das vítimas”, lê-se em uma nota oficial.

A ONU classificou como tragédia a queda do avião de passageiros, segundo a agência Itar-Tass. “Assistimos às notícias do acidente do avião perto da fronteira russo-ucraniana. No momento não temos quaisquer informações detalhadas sobre o caso. É uma tragédia e todos os nossos pensamentos estão agora com os passageiros, tripulação e suas famílias”, disse o vice-porta-voz do secretário-geral da organização, Farhan Haq. 

 

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