Pútin chega ao Brasil e fecha acordos bilaterais

Vladímir Pútin elogiou o “alto nível” da organização da Copa do Mundo no Brasil Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Vladímir Pútin elogiou o “alto nível” da organização da Copa do Mundo no Brasil Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Presidente russo está no país para participar da 6° Cúpula dos Brics, que ocorre em Fortaleza e Brasília a partir desta terça-feira (15).

O presidente russo Vladímir Pútin foi recebido na tarde dessa segunda-feira (14) por Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, em Brasília. Em reunião de quase duas horas, eles assinaram uma série de acordos bilaterais em diversas áreas, como tecnologia, defesa, energia, educação e economia.

Pútin destacou que o Brasil é o maior parceiro da Rússia na América Latina e que está disposto a ampliar o fluxo de mercado com o Brasil. O presidente russo ficará no país para participar da 6° Cúpula dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que irá ocorrer em Fortaleza (CE) e Brasília (DF) durante esta semana.

Entre os acordos assinados pelos dois países está o aumento das trocas comerciais, dos atuais US$ 5,6 bilhões anuais para US$ 10 bilhões anuais. Segundo Dilma Rousseff, desde a primeira visita do presidente Pútin ao Brasil, em 2004, o comércio bilateral entre as nações mais que dobrou.

Na área de defesa antiaérea, foi firmada parceria com convite para que militares brasileiros participem de exercícios militares russos. Além disso, há também um memorando entre o serviço alfandegário da Rússia e a Receita Federal brasileira sobre troca bilateral de dados estatísticos.

Na área de tecnologia, foi firmado acordo que cria uma estação de calibragem do sistema de navegação por satélite de tecnologia russa (Glonass) em universidades técnicas e federais brasileiras. A presidente brasileira manifestou ainda satisfação pela adesão da Rússia ao programa Ciência Sem Fronteiras, que estimula o intercâmbio de conhecimento, permitindo a ida de brasileiros a outros países para estudar nos mais renomados centros de pesquisa de todo o mundo.

Economia

Dilma Rousseff disse que é essencial a atuação coordenada entre Brasil e Rússia na agenda do G20 e defendeu a atuação conjunta das duas nações nas instituições internacionais, principalmente na área econômica. Segundo ela, essa é a única maneira de tornar o FMI (Fundo Monetário Internacional) um mecanismo realmente multilateral e democrático.

“Discutimos a perspectiva de conclusão na sexta-feira de um acordo para a criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics, além do arranjo do contingente de reservas”, disse Dilma.

Pútin destacou que existem novas iniciativas de empresas russas no mercado brasileiro. “Vamos produzir equipamentos para centrais elétricas, indústria automobilística e terminais ferroviários. A nossa indústria farmacêutica, por exemplo, construiu um complexo biológico único no Brasil”, destacou o presidente.

“Buscamos com a Rússia uma relação de benefícios mútuos, seja pala formação de recursos humanos, seja pelo estabelecimento de parcerias industriais, ou associação na área de tecnologia. Nossos países estão entre os maiores do mundo e não podem se contentar, em pleno século 21, em ter dependência de qualquer espécie. Os acontecimentos recentes demonstram ser essencial que busquemos autonomia científica e tecnológica” acrescentou Dilma.

Copa do Mundo

Vladímir Pútin elogiou o “alto nível” da organização da Copa do Mundo no Brasil e afirmou que pretende trocar experiências nessa área. A Rússia sediará o próximo mundial, em 2018, e recebeu neste ano os Jogos Olímpicos de Inverno, em Sôtchi. Já os Jogos Olímpicos de 2016 acontecem no Brasil, no Rio de Janeiro.  

"Sabemos o quão alto foi o nível da organização da Copa do Mundo do Brasil. Foram necessários esforços financeiros e de organização e seremos os anfitriões em 2018. Ao mesmo tempo, o Brasil vai ser o centro dos Jogos Olímpicos, em 2016. Nós, como se sabe, realizamos os Jogos de Inverno e vamos cooperar também na troca de experiências nessa matéria", afirmou Pútin.

A presidente brasileira agradeceu a visita do presidente russo, retornou ao país após dez anos, e desejou sucesso à Rússia na organização da Copa de 2018. “Desejo que nossos países estreitem cada vez mais suas relações estratégicas nas áreas de energia, defesa, ciência e tecnologia e na infraestrutura”, finalizou a presidente brasileira.

Após declaração à imprensa, Dilma e Pútin seguiram para o Palácio do Itamaraty, onde participaram de almoço acompanhados de ministros e delegações dos dois países. O presidente russo agradeceu a acolhida brasileira e afirmou que o encontro reflete o ambiente construtivo de negociações entre os países. 

 

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