Primeiras vítimas russas do conflito na Ucrânia são destaque na imprensa nacional

Situação em Dvatsatka e em outros assentamentos urbanos fronteiriços é extremamente complicada Foto: Reuters

Situação em Dvatsatka e em outros assentamentos urbanos fronteiriços é extremamente complicada Foto: Reuters

Jornais do país apresentaram perspectivas diversas sobre a tragédia em Rostov.

O jornal “Kommersant” informa que, pela primeira vez, o conflito na Ucrânia fez vítimas em território russo. Em resultado de um bombardeio proveniente do lado ucraniano, um cidadão da Rússia foi morto em Donetsk – cidade russa situada na região de Rostov, junto à fronteira com a Ucrânia, e homônima da cidade ucraniana localizada no leste do país. O bombardeio ocorreu em meio à escalada das hostilidades na região de Donetsk e, especialmente, em Lugansk.

“No entanto, os dois lados envolvidos no confronto ucraniano negam a participação no bombardeio do território da Rússia”, escreve o “Kommersant”. O jornal lembra também que os combates ao redor do posto de controle de fronteira Izvarino já se prolongam por quase duas semanas – trata-se de um dos últimos pontos na fronteira através do qual as milícias continuam a receber voluntários e suprimentos humanitários.

“Recentemente, as forças da milícia se fortaleceram nessa área. Depois que elas abandonaram alguns pontos-chave da região de Donetsk, grupos de reforços chegaram à fronteira, inclusive com armas de grosso calibre”, descreve a publicação. A tragédia na cidade fronteiriça russa de Donetsk agravou ainda mais as já tensas relações entre Moscou e Kiev.

Confira a reportagem na íntegra aqui (em russo)

De acordo com o jornal “Moskovskii Komsomolets” (MK), “as explosões que soaram no assentamento de Dvadtsatka, em Rostov, chocaram toda a Rússia”. A publicação também destaca o fato de que, pela primeira vez desde o início da crise, moradores de uma localidade russa se tornaram vítimas do confronto.

A situação em Dvatsatka e em outros assentamentos urbanos fronteiriços é extremamente complicada. “Refugiados chegam constantemente. Parte deles permanece em um acampamento perto da fronteira, e outra parte, nas casas dos moradores locais que os alojam gratuitamente”, lê-se no jornal.

Muitos também abandonam as suas moradias e vão para o interior da Rússia, onde parece mais seguro. “A razão é simples – constantemente ouvem-se explosões no lado ucraniano, é um barulho inimaginável que atrapalha a vida das pessoas”, enfatiza a publicação.

Leia a reportagem completa aqui (em russo)

O jornal “Nezavisimaia Gazeta” destaca as acusações de Moscou em relação a Kiev pelas provocações na fronteira. Citando a declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov, o jornal destaca que o bombardeio na cidade de Donetsk “comprova a extremamente perigosa escalada das tensões na fronteira russo-ucraniana”.

O Comitê de Investigação do Distrito Federal Sul instaurou um processo criminal nos termos do artigo 105 do Código Penal, intitulado “assassinato de duas ou mais pessoas, praticado por um grupo de indivíduos de modo a oferecer perigo à sociedade”. O jornal destaca que, em todos os casos, o lado ucraniano nega participação dos disparos contra o território russo.

“O acaso transformado em regra também pode ser uma comprovação das provocações por parte do governo oficial de Kiev, com o objetivo de envolver a Rússia no conflito armado na fronteira oriental, a fim de começar a invadir a Crimeia”, conclui o “Nezavisimaia”.

Para ler a notícia no site do jornal “Nezavisimaia Gazeta”, clique aqui (em russo)

O jornal “Vedomosti” observa que, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia ameaça a Ucrânia com consequências decorrentes dos ataques ao território russo, as tropas motorizadas russas já estão sendo descarregadas na fronteira com a região de Kharkiv. De acordo com a publicação, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Grigóri Karasin, enfatizou que, “em resultado da perigosa escalada na fronteira, uma ameaça qualitativamente diferente surgiu para os cidadãos russos”, prometendo “diligências severas”.

Mesmo que as declarações do Ministério dos Negócios Estrangeiros estejam precedendo possíveis ações militares do lado russo, de acordo com uma fonte próxima ao Ministério de Defesa Russo, “não se pode falar em ameaça de introdução das tropas no território da Ucrânia”. Por outro lado, a fonte não descartou a possibilidade de fogo ser aberto para revidar no caso de novos ataques ao território russo.

Acesse a reportagem completa aqui (em russo)

O jornal “Rossiyskaia Gazeta” (RG), por sua vez, publicou uma matéria sobre o impacto do bombardeio ao território da Rússia. De acordo com os dados da publicação, no momento, as autoridades de Rostov estão transferindo os campos de refugiados para locais mais afastados da fronteira. “Isso foi feito com o intuito de garantir que as pessoas vivam em segurança e protegê-las das quedas de projéteis ucranianos em território russo”, destaca o jornal.

Parte dos moradores de Donbass que chegaram à região de Don foi enviada para outras regiões da Rússia, segundo o RG. Além disso, a publicação relata que, apesar de os soldados ucranianos fecharem os postos de controle na fronteira e não permitirem a saída de refugiados, as autoridades da região de Rostov continuam a alocar, em seu próprio território, habitantes de regiões do sudeste da Ucrânia.

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