Tenente ucraniana é detida como cúmplice em assassinato de jornalistas russos

Segundo Comitê de Investigação, Nadejda Savchenko informou aos soldados a localização da equipe em Lugansk Foto: AP

Segundo Comitê de Investigação, Nadejda Savchenko informou aos soldados a localização da equipe em Lugansk Foto: AP

A tenente da Força Aérea da Ucrânia e piloto de helicóptero, Nadejda Savchenko, está detida na região de Voronej sob acusação de conivência no assassinato de jornalistas russos nos arredores de Lugansk, em junho passado.

O Comitê Investigativo da Rússia (CIR) prendeu a piloto de helicóptero Mi-24, Nadejda Savchenko, por ter assumido papel ativo como balizadora dos bombardeios perpetrados pelo Batalhão Aydar, uma das principais unidades que participaram dos combates no sudeste da Ucrânia.

“Ao tomar conhecimento da localização de um grupo de jornalistas russos da RTR, que estavam na companhia de outros civis, ela passou as coordenadas aos soldados ucranianos. Com essas informações, os artilheiros bombardearam com fogos de morteiro a região onde estavam Ígor Korneliouk e Anton Volochin, funcionários da RTR”, declarou o representante oficial do CIR, Vladímir Markin, acrescentando que a aviadora foi detida quando estava em território russo.

“Ela atravessou a fronteira russa ilegalmente, sem documentos, e alegava ser uma refugiada. Durante a checagem de identidade em um dos acampamentos, os oficiais perceberam que estavam diante de Savchenko, que imediatamente foi presa sob suspeita de envolvimento no assassinato de jornalistas russos”, acrescentou Markin.

O presidente da Comissão de Supervisão Pública da Região de Voronej, Anatóli Malakhov, visitou nesta quarta-feira (9) a militar ucraniana na prisão. Segundo ele, Savchenko não apresentou queixas sobre as condições de detenção ou tratamento dispensado por parte da administração.

“Ela está em boas condições. Ninguém a coagiu e ela não apresentou nenhuma queixa. A cela é grande e não apresenta condições degradantes”, afirmou Malakhov. “A cela é para quatro pessoas, equipada com banheiro e ducha quente. Ela recebeu roupas e acessórios femininos, sabonete e toalha. Além disso, tem pedido somente café e cigarros.”

Versão da acusada

De acordo com Savchenko, ela foi presa por milicianos da região de Lugansk no dia posterior ao ataque contra os jornalistas, enquanto ajudava a evacuar os militares ucranianos feridos.

“Na aldeia de Metalist, dois veículos blindados ucranianos foram destruídos, ferindo muitos soldados. O número exato eu não sei, mas vi quatro deles. Quando pedi reforços para socorrê-los, fui presa”, disse a tenente, citada pelo jornal “Komsomolskaya Pravda”.

Embora não tenha negado participação nas ações no sudeste do país nem que foi voluntária a integrar o batalhão Aydar, Savchenko refuta qualquer envolvimento na morte dos jornalistas.

Desaparecida desde a suposta prisão por milicianos, Savchenko reapareceu no dia 19 de junho, quando foi publicado no YouTube um vídeo que mostra o seu interrogatório. Ela aparece algemada e cercada por pessoas não identificadas, que tentavam sem sucesso extrair informações.

Reação ucraniana

O Ministério da Relações Exteriores da Ucrânia protestou contra a detenção da militar e declarou como ilegal a extradição forçada dela para a Rússia. O ministério também exigiu do Kremlin acesso à aviadora pelo cônsul do país para que possa prestar a devida assistência jurídica.

“Ao extraditar cidadãos ucranianos para seu país, as autoridades russas não só estão violando todas as regras possíveis de direito internacional, como também feriram as normas básicas de decência e moralidade. Tal ação não ficará sem uma resposta adequada por parte do governo e da comunidade internacional”, manifestou o órgão em uma nota oficial publicada no site.

O cônsul da Ucrânia na Rússia, Gennádi Breskalenko, está aguardando em Voronej para se encontrar com a detenta. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia ainda não emitiu nenhum comentário sobre o caso.

 

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