Ucrânia retoma controle de uma série de cidades subordinadas à milícia

Milícia conseguiu romper o bloqueio de Slaviansk e se retirou para a cidade vizinha de Kramatorsk, e de lá para Donetsk Foto: ITAR-TASS

Milícia conseguiu romper o bloqueio de Slaviansk e se retirou para a cidade vizinha de Kramatorsk, e de lá para Donetsk Foto: ITAR-TASS

Confronto no sudeste do país está caminhando em direção a seu desfecho. No fim de semana passado, as forças do governo tomaram a cidade de Slaviansk, símbolo da resistência, e cidades próximas a ela. Especialistas militares dizem que, apesar do sucesso do cerco que durou dois meses, as autoridades de Kiev precisam encerrar o confronto o mais rápido possível para evitar uma crise humanitária na região.

De acordo com a versão de representantes da autoproclamada República Popular de Donetsk, ao amanhecer do sábado passado (5), a milícia conseguiu romper o bloqueio de Slaviansk e se retirou para a cidade vizinha de Kramatorsk, e de lá para Donetsk. A retirada da cidade sitiada foi uma “manobra tática imprescindível para a concentração das tropas e a defesa bem sucedida de Donetsk”, disseram fontes internas.

Durante o cerco de dois meses de Slaviansk, com população de 110 mil habitantes, os militares ucranianos bloquearam o acesso a alimentos, bem como interromperam o fornecimento de luz e água. De acordo com o jornal russo “Kommersant”, que cita os habitantes de Slaviansk, a Guarda Nacional realizava “operações de limpeza” na cidade, com o intuito de descobrir potenciais sabotadores e identificar pessoas que colaboravam com as milícias.

Segundo o analista político independente ucraniano Dmítri Ponamartchuk, é improvável que as autoridades de Kiev suspendam as operações de combate após a tomada de um dos principais centros da milícia. “Não se deve esquecer que o presidente está rodeado por um influente grupo de partidários da linha dura. Mesmo se [Petrô] Porochenko quisesse seguir o caminho dos acordos, concessões e medidas amenas, essas pessoas não teriam permitido, especialmente agora”, diz.

O especialista salienta que um cerco à cidade de Donetsk, com utilização de artilharia e aviões, se tornaria um desastre humanitário e levaria a um enorme número de vítimas entre a população civil. Por isso, a batalha pelo reduto da resistência irá se passar no mesmo cenário de Sloviansk: cerco com a suspensão das comunicações, interrupção do fornecimento de alimentos e evacuação da população civil.

A tomada de Kramatorsk pelos militares ucranianos foi efetivada, nas palavras de Viktor Litovkin, perito militar independente, graças à decisão dos habitantes da cidade de não apoiar a resistência para não expor a cidade aos ataques com morteiros da Guarda Nacional.

“A mesma situação pode acontecer em Donetsk: as pessoas podem se recusar a apoiar a resistência e preferir entregar a cidade ao Exército ucraniano, ficando à mercê do vencedor. Em uma visão de longo prazo, fica claro que as forças de resistência não têm condições de vencer a máquina do Estado, superior em número e equipamentos”, garante Litovkin. O objetivo de Kiev é seguir até o fim, pois o governo central acredita que a única maneira de parar o derramamento de sangue é aumentando a pressão política por parte de Paris, Berlim e Moscou.

“Um acordo de paz entre a metrópole e as repúblicas poderia ser assinado nos moldes do acordo de paz de Khasaviurt, de 1996 , firmado entre a Federação Russa e a Tchetchênia. Como resultado do acordo, as tropas do governo foram retiradas do território da República e a Tchetchênia tornou-se praticamente um Estado independente, com seu presidente, fronteira e Exército. O acordo marcou o fim da primeira guerra da Tchetchênia”, explica Litovkin.

A nova rodada de negociações já foi adiada várias vezes. Após a comunicação sobre a tomada de Slaviansk, o grupo de contato que trata da Ucrânia emitiu uma declaração sobre a necessidade urgente de tomar medidas concretas para uma solução pacífica para a crise e realizar a próxima rodada de conversações o mais rápido possível.

Fronteira russa

Conforme relatado por funcionários aduaneiros russos, são frequentes os tiros e disparos de metralhadora da parte da autodeclarada República de Lugansk, e os projéteis dos morteiros chegaram a atingir o território da Rússia.

Na manhã de sexta-feira passada (4), algumas ogivas explodiram no posto de controle de “Novochakhtinsk”, na região de Rostov. Um funcionário da alfândega russa foi ferido em consequência de um incidente parecido cerca de duas semanas atrás.

De acordo com testemunhas, uma das minas explodiu na pista de movimentação dos carros, deixando uma cratera de meio metro de diâmetro, mas não houve registro de vítimas.

Anteriormente, vários postos de controle russos haviam sido fechados devido aos tiroteios no território da Ucrânia. As autoridades fronteiriças suspenderam o trabalho dos postos "Donetsk", "Veselo-Voznesenka" e "Kuibichevo".

 

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