Em viagem oficial à América Latina, Pútin assistirá à final da Copa antes de se encontrar com líderes do Brics

Assinatura de acordo sobre comércio bilateral durante encontro dos presidentes no Kremlin, em dezembro passado Foto: Mikhail Kleméntiev/RIA Nóvosti

Assinatura de acordo sobre comércio bilateral durante encontro dos presidentes no Kremlin, em dezembro passado Foto: Mikhail Kleméntiev/RIA Nóvosti

Presidente russo pretende estreitar laços sobretudo com Cuba, Argentina e Brasil.

O presidente russo Vladímir Pútin estará, a partir de 11 de julho, em viagem oficial pela América Latina, onde visitará Cuba, Argentina e Brasil. “Por um lado, a visita do presidente russo é um sinal de respeito e compreensão do crescente papel da América Latina na economia e política mundial” , disse à Gazeta Russa o diretor do Instituto da Academia Latino-Americana de Ciências, Vladímir Davidov. “Por outro, reflete uma atitude amigável do governo perante os países latino-americanos em um momento em que o Ocidente quer isolar a Rússia.”

O especialista, que qualifica a visita de Pútin ao continente americano como “histórica”, acredita também que essa viagem demonstra que o país tem intenção de mover-se juntamente com a América Latina em busca de um “modelo mais razoável de relações internacionais”.

O primeiro destino de Pútin será Cuba, onde foi convidado por Raúl Castro, presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros . O Kremlin anunciou também que o chefe de Estado russo se encontrará com o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, que aos 87 anos, vem aparecendo raramente em público. “Por isso a reunião com Pútin desperta um interesse particular da comunidade internacional”, diz Davidov.

Cabe lembrar que, recentemente, a Duma (câmara dos deputados na Rússia) ratificou um acordo intergovernamental com Cuba, segundo o qual 90% das dívidas cubanas acumuladas durante a época soviética foram perdoadas. Do total de US$ 35,2 bilhões, foram excluídos US$ 31,7 bilhões, representando o maior perdão de dívidas da história da Rússia. Os US$ 3,5 bilhões restantes serão divididos em 20 parcelas iguais ao longo de 10 anos. O valor será creditado em uma conta especial do banco russo Vneshconombank com o Banco Nacional de Cuba, e deverá ser usado em projetos de investimento na ilha latino-americana.

Energia latina

Junto com Pútin, viajará também a Cuba uma delegação russa com propostas de projetos de cooperação na área de energia, transportes, aviação civil, saúde e exploração pacífica do espaço. A Rosneft e Zarubezhneft já assinaram um acordo para a exploração de depósitos marinhos na costa de Cuba, perto do estado americano da Flórida. Em meio a sanções impostas pelo Ocidente, os projetos foram considerados pela imprensa dos EUA como um instrumento de política externa do Kremlin.

A cooperação no setor de energia será enfatizada de modo especial durante as negociações de Pútin com a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, em Buenos Aires. Isso porque as autoridades argentinas convidaram empresas russas para participar de licitações sobre a construção de dez hidrelétricas e, pelo menos, de uma usina nuclear.

Funcionários do Ministério russo das Relações Exteriores afirmaram à Gazeta Russa que serão assinados também um acordo atualizado de cooperação sobre o uso pacífico de energia atômica, três tratados sobre assistência jurídica mútua em matéria penal e extradição de criminosos, bem como um convênio internacional de comunicações de mídia.

Para além de futebol

O período mais intenso da agenda de Pútin na América Latina está reservado ao Brasil. No dia 13 de julho, o presidente assistirá à final da Copa do Mundo no Rio de Janeiro e participará da entrega simbólica do bastão à Rússia, que sediará o próximo Mundial em 2018.

No dia seguinte, já na capital brasileira, Pútin se reunirá com a presidente Dilma Rousseff e com representantes da comunidade empresarial. Dezoito meses atrás, os líderes dos dois países concordaram em aumentar o comércio bilateral em até 10 bilhões de dólares ao ano. No entanto, como esse volume alcançou somente a marca dos 6,5 bilhões no ano passado, espera-se que o encontro resulte em perspectivas práticas para o desenvolvimento da parceria.

Planeja-se também a assinatura de um pacote de tratados sobre comércio, investimento e na esfera humanitária. Paralelamente, Moscou e Brasília pretendem dar início a um novo período das relações comerciais bilaterais sem a participação do dólar americano, por meio do desenvolvimento de um mecanismo para a utilização de moedas nacionais.

No dia 15 de julho, o presidente russo seguirá para Fortaleza, onde vai participar da 6a Cúpula dos Brics. Durante o evento, será provavelmente anunciada a fundação do Banco de Desenvolvimento dos Brics e das Reservas Monetárias. Paralelamente à cúpula será realizada mais uma reunião do Fórum de Diálogos dos Líderes dos Brics e América Latina, na qual se encontrarão líderes de 12 países da região, como, por exemplo, o presidente do Uruguai, José Mujica, com o qual Pútin participará de uma reunião bilateral. 

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